A frase está a meio do editorial do Avante! desta semana: “Sejam quais forem as circunstâncias e a evolução da situação” – ou seja, da formação do novo Governo -, “os portugueses podem ter como garantido que os votos do PCP contribuirão sempre para todas as medidas que forem úteis para os trabalhadores, o povo e o País e opor-se-ão a tudo o que signifique mais exploração, empobrecimento, injustiças sociais e declínio nacional”. 

Começando por esclarecer que a declaração de Jerónimo de Sousa, depois da reunião com António Costa na sede dos comunistas, “deve ser lida e entendida na sua totalidade”, o editorial publicado no órgão oficial do PCP traça as conclusões das legislativas – e aponta para a estratégia a seguir pelos comunistas. Começando pelas conclusões (e destacando os sublinhados):

  • Aponta a “derrota da coligação PSD/CDS que (…)ficou sem legitimidade política para formar novo governo e prosseguir, por si só, a política de direita;
  • Diz que os resultados são fruto da “luta e combate” à política da direita, “luta que contou sempre com o apoio activo do PCP e da CDU, que de forma consequente se bateram e continuam a bater pela ruptura e a alternativa”; 
  • Apresentará, em qualquer circunstância, “uma moção de rejeição ao programa de um eventual governo PSD/CDS, para interromper a acção destruidora deste Governo”;

É quando passa a explicar as negociações à esquerda que o Avante! não se inibe de deixar críticas ao PS – e um aviso muito concreto: a luta do partido será feita no Parlamento. E definida caso a caso, não com garantias de aprovação de mais do que de um programa de Governo do PS:

  • Jerónimo de Sousa “afirmou o objectivo de nos batermos por uma política que responda às aspirações dos trabalhadores e do povo, o que não é fácil, considerando que o programa do PS não responde à aspiração da ruptura com a política de direita”;
  • “Entretanto, não sendo possível a convergência para uma política que responda às aspirações dos trabalhadores e do povo, o que de facto não é fácil, o quadro constitucional e a correlação de forças na Assembleia da República em nada impedem o PS de formar governo. Mesmo nestas circunstâncias não se pode concluir que a solução seja um governo PSD/CDS”, exorta o jornal;
  • Mais: “O PS só não formará governo se não quiser, tendo que escolher entre dar aval e apoio à formação de um governo PSD/CDS ou tomar a iniciativa de o formar já que tem garantidas condições para a sua formação e entrada em funções”.

E nada mais do que isso, fica implícito. Para o PCP, a opção parece ser a de negociar com o Governo PS a cada etapa da legislatura, como já tinham dito Jorge Cordeiro e Ilda Figueiredo esta semana. No Avante, a mensagem é sublinhada: “Sejam, porém, quais forem as circunstâncias e a evolução da situação, os portugueses podem ter como garantido que os votos do PCP contribuirão sempre para todas as medidas que forem úteis para os trabalhadores, o povo e o País e opor-se-ão a tudo o que signifique mais exploração, empobrecimento, injustiças sociais e declínio nacional”.

PCP e PS ainda nem debateram Orçamento de 2016

Também no debate desta sexta-feira, na Antena 1, Vasco Cardoso, da Comissão Política do PCP, garantia que o seu partido e o PS ainda nem sequer começaram a debater a questão do Orçamento para 2016. “Estamos na fase de verificação de aspetos fundamentais do ponto de vista político que podem ser alterados. Muito menos de composição de Governo”, explicou. “Da nossa parte, posso dizer que em relação às questões orçamentais ainda não evoluímos”, disse.

Mas Vasco Cardoso não deixou de afastar o ónus da decisão final do PCP: “Aqueles que acusam o PCP de ser um partido apenas de protesto agora vêem essa caricatura cair por terra”.