Sim, eles está de volta. O tal. O que pôs toda a gente a falar dele, o simples vestido que cada um via de cor diferente.

A polémica estalou no início do ano nas redes sociais (e na Internet em geral): afinal, o vestido que se encontra ao centro da imagem era branco e dourado ou azul e preto? Havia quem visse as primeiras duas cores e havia quem jurasse a pés juntos que era preto e azul. A razão? Ainda não se tinha concluído com precisão.

Agora uma equipa de neuroplasticidade alemã, da Clínica de Bergmansheil (Bochum), decidiu revelar um estudo que fez sobre o tema. A pergunta que lançou a investigação era simples: porque é que vemos cores diferentes na mesma imagem? A resposta foi encontrada: por causa dos nossos neurónios.

A equipa chefiada por T. Schmidt-Wilcke, e na qual colaboraram também as investigadoras Lara Schlaffke, Lauren Haag e Anne Golish, chamou um conjunto de voluntários a quem apresentaram dois tipos de imagens: uma com o vestido em questão, e outra com quadrados cromáticos. Os quadrados eram de cor azul, branca, preta e dourada, as cores que as pessoas afirmaram ver no vestido, e tinham as mesmas propriedades do tecido utilizado na peça de vestuário.

Todos os participantes identificaram as cores dos quadrados cromáticos de forma igual, conta o diário espanhol El Confidencial… Mas, quando chegou a altura de dizerem que cores viam no vestido, as respostas já não foram consensuais: uns viam branco e dourado, outros preto e azul.

Os investigadores mediram a atividade cerebral dos participantes enquanto viam as imagens, através de ressonâncias magnéticas. E o que concluíram? Que os que viram branco e dourado no vestido apresentaram uma ativação adicional do cérebro, em especial nas zonas parietais e frontais, que são zonas particularmente relacionadas com processos cognitivos, como a atenção seletiva e a tomada de decisões.

O estudo foi percursor: não só nos deu a perceber porque é que as pessoas viram cores diferentes no vestido que se tornou viral, como, segundo o El Confidencial, foi o primeiro em que se estudou um grupo num caso de percepção ambígua: isto é, onde se verificasse uma diferente percepção de imagens entre participantes. Agora, sabe-se a que áreas do cérebros essa ilusão de ótica se deve. As investigadoras não têm dúvidas: “Estabelecemos uma base para futuras investigações no campo do processamento visual”, afirmam, em declarações citadas pelo diário online espanhol.