Convidado pelos curadores do Folio — Festival Literário Internacional de Óbidos, para criar um espetáculo inédito, António Zambujo respondeu ao repto com um concerto intimista em que, sentado numa das poltronas do palco, começou por cantar “Diz que o samba é samba”, “Eu Sei que Vou te Amar” e “Oração do tempo”.

A ele juntou-se Mayra Andrade para ocupar a segunda poltrona e interpretar “Dor de Cotovelo”, num ambiente de cumplicidade entre os dois amigos e público que entusiasticamente aplaudiu cada uma das 16 músicas do alinhamento. A maioria de Caetano Veloso, algumas de Chico Buarque e umas de Peninha, intercaladas com histórias sobre um amigo gago ou o pai [de António] que não sabe cantar, mas bate o filho aos pontos no que toca a assobiar.

Aos jornalistas António Zambujo confessou estar “pela primeira vez em Óbidos, vila que o “surpreendeu e apaixonou” no curto espaço de tempo que levou a “atravessar a rua direita”. Em palco Mayra confidenciou estar também a viver uma “primeira vez” mas, neste caso, “a primeira vez que num concerto vou cantar tantas músicas de Caetano Veloso”.

Mas, o concerto inédito, apresentado apenas no Folio, reservava ainda uma outra estreia aos dois artistas que, depois do primeiro encore foram obrigados a regressar ao placo ao som das palmas do público que recusava abandonar o recinto. “Vou ser sincero”, afirmou Zambujo, “não temos mais nenhuma música preparada”. Mas da assistência continuavam os pedidos “para mais uma”, fosse ela “Leãozinho”, “Tigresa” ou “Trem das onze”.

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“Trem das onze?”, Perguntou Zambujo ao público que anuiu entusiasmado. “Está bem, mas não sabemos a letra, cantem vocês”. E o público cantou para António Zambujo e Mayra Andrade, que terminaram o concerto a dançar ao som da assistência.

Um espetáculo improvável a fechar o segundo dia do Folio, um festival organizado em em cinco capítulos (Folia, Folio Autores, Folio Educa, Folio Ilustra e Folio Paralelo), que até ao dia 25 é palco de lançamentos de livros, debates, mesas redondas, entrevistas, sessões de autógrafos e conversas (improváveis, segundo a organização) que, até dia 25, levam à vila 459 autores e criadores.