Vida selvagem

Cientista anda 20 anos à procura deste pássaro, encontra-o e… mata-o

324

Um cientista liderou uma expedição para encontrar uma misteriosa espécie de pássaro. Encontrou-a. Mas matou-a de seguida, numa prática-padrão dos biólogos de campo, que gerou controvérsia.

A espécie Moustached Kingfisher (Bigodudo), caracterizada pelo seu pêlo colorido em tons de laranja e azul.

O cientista Cristopher Filardi demorou cerca de 20 anos a encontrar uma espécie de pássaro, os Moustached Kingfisher (Bigodudos), de que ainda se sabe muito pouco. A sua busca pela espécie misteriosa foi incansável. Filardi liderou a expedição que foi desde as ilhas Salomão até à Oceânia, conseguindo finalmente localizar o animal, identificá-lo e fotografá-lo pela primeira vez na história. Tratava-se de um macho da espécie Bigodudo, e foi encontrado na reserva de Tetena-Haiaja.

Mas a descoberta de Filardi gerou polémica e não foi bem recebida por alguns elementos da comunidade científica, já que o cientista matou o animal depois de o encontrar, para integrar o estudo científico da sua coleção de aves. “Supostamente colecionar significa matar (…) até quando vai durar esta prática?”, pergunta um professor de ecologia e biologia da Universidade do Colorado, Marc Bekeooff, segundo o El País.

Cristopher Filardi, que é diretor de Programas do Pacífico para o Museu Americano de História Natural do Centro para a Biodiversidade e Conservação, veio fazer entretanto alguns esclarecimentos, na National Audubon Society, depois da controvérsia gerada a propósito da morte do pássaro. “O nosso trabalho de campo não foi apenas sobre encontrar o Bigodudo. Esta não foi uma caça ao troféu”, disse. Esclareceu ainda que a decisão de recolher uma espécime individual faz parte do trabalho de levantamento que reflete uma prática-padrão dos biólogos de campo.

Passei muito tempo em florestas remotas (…) tenho observado populações inteiras de aves diminuir e desaparecer na sequência de operações de exploração madeireira mal geridas (…) a verdadeira descoberta não passava apenas por encontrar a espécie, mas descobrir que o mundo onde ela habita ainda prospera de uma forma rica e natural.”

Sobre as acusações da sua atitude contribuir para a possibilidade de extinção da espécie, o cientista também explicou que se estima que existam cerca de 4.000 exemplares, o equivalente a uma superpopulação “O Bigodudo, apesar de ser uma ave de que pouco se sabe e que não tem sido estudada, não é uma ave rara e não está em perigo”, disse Filardi, explicando que a eutanásia de um animal pode contribuir para salvar todos os outros.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: observador@observador.pt
Descentralização

Ainda há quem não queira saber 

Teresa Cunha Pinto
119

Pedem jovens e investimento para o interior, mas como? Como se não lhes são dadas as condições necessárias? A culpa? É de quem esqueceu Portugal. E eles sabem quem são. 

PGR

Estão a gastar a nossa herança!

Gonçalo Pistacchini Moita
269

Muitos de nós julgam saber o que levou António Costa a propor a substituição da Procuradora Geral da República. Poucos saberão, de facto, o que levou Marcelo Rebelo de Sousa a aceitá-la. 

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)