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Depois de se ter demitido da liderança da Volkswagen, Martin Winterkorn vai também deixar a holding que controla aquele grupo automóvel. No sábado, a Porsche SE emitiu um comunicado em que anuncia que o antigo presidente-executivo da empresa deixará o cargo a 31 de outubro, data em que será substituído por Dieter Pötsch, que até agora era o responsável pela área financeira da holding.

É mais uma consequência da polémica causada pela manipulação das emissões poluentes em vários modelos Volkswagen. Descoberta no fim de setembro, essa manipulação fez com que o grupo automóvel alemão se afundasse na bolsa e levou a mudanças na estrutura dirigente. Poucos dias depois de a polémica rebentar, Martin Winterkorn demitiu-se, alegando no entanto que nada sabia sobre o assunto.

Foi substituído por Matthias Mueller, presidente-executivo da Porsche, marca-mãe do grupo. Através da holding Porsche SE, as famílias Porsche e Piech controlam mais de 50% do grupo Volkswagen, do qual, por sua vez, fazem parte doze marcas de automóveis: Audi, Seat, Skoda, Bentley, Bugatti e Scania, entre outras. Além disto, a holding tem investimentos em empresas tecnológicas.

Outra consequência do escândalo das emissões prende-se com as indemnizações que a Volkswagen terá de pagar aos muitos clientes lesados (estima-se que haja 11 milhões de carros afetados). Neste fim de semana, o jornal inglês Sunday Telegraph revelou que um grupo de financiamento de ações judiciais de grande dimensão, Bentham, está a contactar os investidores da Volkswagen no sentido de interporem um processo contra o fabricante alemão. Pelas contas de Quinn Emanuel, o advogado contratado pelo Bentham com largo historial de sucesso, a Volkswagen poderá ter de pagar 40 mil milhões de euros em indemnizações, um valor-recorde que poderá adensar ainda mais a crise em que atualmente se encontra.

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