O cão foi a primeira espécie a ser domesticado pelo ser humano. Tornou-se, ao longo de milhares de anos, no melhor amigo do homem. Mas quando e onde apareceu o cão moderno?

Já se sabia que os seus antecessores são os lobos selvagens cinzentos e que alguns investigadores sugeriam que os primeiros exemplares surgiram na Europa, no Próximo Oriente, na Sibéria e no sul da China. Mas agora, e como conta o New York Times, um estudo coloca a Ásia Central nesta lista e como o candidato com maior probabilidade de ter sido o verdadeiro berço dos cães modernos.

Mas este estudo diferencia-se dos outros pela sua extensão. Laura M. Shannon e Adam R. Boyko passaram sete anos a viajar o mundo para recolher amostras de sangue de cães de raça pura mas também, e na sua maioria, cães de rua (cães sem dono que vivem nas ruas junto a humanos). Isto porque este tipo de cães representa 75% da população canina no mundo.

Pela primeira vez, num estudo desta dimensão, foram analisados três tipos de ADN de mais de 4.500 cães de 161 raças diferentes em 38 países. Ora, o objetivo era observar que grupos geográficos mais se aproximavam geneticamente às populações ancestrais. E aqui a conclusão foi diferente de todos os outros estudos realizados: a Ásia Central aparece como o local de origem dos cães modernos.

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR

Boyko referiu, e citado pelo mesmo jornal, que todos os “cães vivos” podem ter origem algures entre o Nepal e a Mongólia, mas não foi possível especificar a altura do seu aparecimento. No entanto, Boyko esclareceu que o cão moderno está entre nós há pelo menos 15 mil anos. Isto porque os fósseis mais antigos que foram encontrados na Europa Ocidental e na Sibéria, datam de, no mínimo, desse período.

Mas esta não é uma conclusão definitiva. Porque, como diz Greger Larson da Universidade de Oxford, citado pela The Atlantic, esta nova conclusão sobre a história de vida da espécie completa um conjunto “de áreas possíveis onde os cães podem ter sido domesticados”, mas que “análises genéticas anteriores apontaram para a direção da Europa, Próximo Oriente, Sibéria e China. Ao acrescentar a Ásia Central significa que toda a gente com a sua região favorita pode escolher um estudo que suporte a sua preferência.”