A União Europeia está no bom caminho para cumprir os objetivos traçados para 2020 no que diz respeito às alterações climáticas, confirma o relatório preparado pela Agência Europeia do Ambiente (AEE) e Centro Temático Europeu para a Poluição Atmosférica e Mitigação das Alterações Climáticas. O objetivo “20-20-20” consiste em reduzir em 20% (em relação a 1990) a emissão de gases com efeito estufa, aumentar em 20% a percentagem de renováveis na rede e reduzir em 20% o consumo energético.

Grande parte dos Estados-membros (13) está em linha com os objetivos traçados para 2020, mas a União Europeia também tem objetivos mais ambiciosos para 2030 e 2050. Em relação a 2020, e apesar de serem grandes produtores de eletricidade de fontes renováveis, Portugal e Espanha parecem não estar em linha com o previsto em relação às energias renováveis. Já no ano passado a Quercus referia que Portugal estava a abrandar os investimentos nesta área.

Progress of Member States towards 2020 climate and energy targets_EEA

Evolução dos Estados-membros em relação às metas de redução das alterações climáticas de 2020 (dados de 2013) – EEA

Tirando quatro países, os Estados-membros estão a conseguir cumprir as metas impostas para a redução da emissão de gases com efeito estufa (GEE) para 2020, mas o relatório considera que esta redução vai abrandar. A AEE prevê que em 2030 a emissão de GEE seja 27 a 30% menor que em 1990, o que fica aquém do objetivo de 40% de redução. O mesmo relatório refere ainda que novas medidas aprovadas pelos Estados-membros ainda não foram incluídas e que isso pode garantir o sucesso nos próximos 15 anos.

Proposta da União Europeia para 2050: reduzir em 80% as emissões resultantes do consumo doméstico.

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O panorama na produção de eletricidade a partir de fontes renováveis também parece apresentar algumas limitações. Neste momento a União Europeia está em linha com o aumento de 27% de produção de renováveis até 2030, mas a redução de investimento nestas fontes em alguns países, como aconteceu em Portugal, pode ser prejudicial. Além disso, continuam a existir barreiras à integração de energia renováveis nas redes europeias, como o bloqueio de França à energia produzida em Portugal e Espanha.

A precisar ainda de mais investimento e mais esforços por parte de alguns países, e da União Europeia em geral para definir metas mais rigorosas, está o aumento da eficiência energética, traduzido pela redução do consumo energético em 27% ate 2030 (em relação a 1990).

O relatório relembra que as condições meteorológicas condicionam o consumo de energia e consequentemente a emissão de gases com efeito estufa. Entre 2005 e 2013, o único aumento significativo foi em 2010, que teve um inverno excepcionalmente frio. Já 2013 e 2014, que foram anos mais quentes, tiveram o efeito contrário.