Os irmãos mais velhos são mais responsáveis do que os mais novos. E os mais novos são mais extrovertidos do que os mais velhos. Vários são os estereótipos em torno da influência que a ordem de nascimento exerce sobre a personalidade das pessoas. Mas um novo estudo levado a cabo por dois psicólogos das Universidades de Leipzig e um psicólogo de Mainz, na Alemanha, vem abalar estas teorias, dizendo que parece não haver qualquer efeito da ordem do nascimento em cinco grandes traços de personalidade.

“A principal notícia do nosso estudo é que não encontrámos efeitos da ordem do nascimento em qualquer das dimensões de personalidade, além do domínio intelectual. Isto não só contradiz teorias psicológicas importantes, como também vai contra a intuição de muitas pessoas”, afirma o líder do estudo, o psicólogo Stefan Schmukle, citado pelo El País.

Também a estudante de psicologia da Universidade de Leipzig, Julia Rohrer, uma das autoras deste estudo, disse que foi “surpreendente” o facto de os resultados serem tão “claros”.

Os três psicólogos analisaram e cruzaram a informação de três bases de dados (Estados Unidos, Reino Unido e Alemanha), num total de 20 mil indivíduos, e se, por um lado, confirmaram a ideia de que o filho mais velho é mais inteligente do que o mais novo – o que pode ser explicado pelo facto destes receberem maior atenção e estímulos cognitivos por parte dos pais -, por outro, e “mais importante”, segundo os autores do estudo, é que não foi encontrado qualquer efeito da ordem de nascimento sobre cinco traços de personalidade. A saber: extroversão, estabilidade emocional, capacidade de aceitação, sentido de responsabilidade e imaginação.

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Como este estudo foi feito com pessoas adultas, escreve o ABC, os investigadores não descartam que os efeitos da ordem do nascimento se façam notar durante a infância e a adolescência, enquanto se vive em família. De qualquer modo, o seu impacto não será duradouro, nem significativo.

A conclusão deste estudo publicado na revista norte-americana PNAS vem contradizer investigações levadas a cabo anteriormente. A razão para isso pode estar, diz a Time, no facto de este estudo se focar sobretudo em cinco grandes traços de personalidade, que é diferente da forma como em estudos anteriores se avaliou o impacto da ordem de nascimento na personalidade das pessoas.

Escreve ainda a Time que embora o artigo não refute, por si só, o chamado efeito da ordem do nascimento, o mesmo aponta para a necessidade de mais investigação sobre a matéria.

Este estudo não surpreende porém Inês Afonso Marques, psicóloga clínica da Oficina da Psicologia, que começa por referir ao Observador que “os últimos estudos têm apontado precisamente nesse sentido: que a ordem de nascimento não tem por si só influência na personalidade da criança”.

“Nós sabemos que a nossa maneira de ser, o nosso modo de estar na vida é influenciado por uma multiplicidade de fatores que nos estudos até é difícil de ir isolando”, continua a psicóloga, explicando que muitas das ideias preconcebidas como, por exemplo, que o filho mais velho é mais responsável do que o mais novo, partem, muitas vezes, de uma análise errada.

“Muitas vezes estamos a comparar crianças mais velhas com outras mais novas”, e isso só por si influencia os resultados porque realmente as mais velhas tendem a ser mais responsáveis e maduras do que as mais novas, mas não por terem nascido primeiro, e sim por serem efetivamente mais velhas.