O Banco Central Europeu (BCE) deverá manter inalterada, esta quinta-feira, a taxa de juro diretora nos 0,05% e dar sinais de que poderá alargar o seu programa de compra de dívida soberana se for necessário.

Teresa Gil Pinheiro, economista do BPI, disse à Lusa que não se espera “nenhuma alteração” pela parte do Conselho de Governadores quanto às taxas de juro principais. Já o presidente do BCE, Mario Draghi, deverá dar indicação, em conferência de imprensa, de que a instituição poderá “reforçar o programa de compra de ativos longo prazo, sobretudo de dívida pública”.

Para já, acrescentou, não deverá passar do discurso, até porque o programa de compra de ativos já deixa em aberto um reforço das compras e mesmo um prolongamento da sua duração (até setembro de 2016) e a inflação da zona euro deverá fechar o ano ligeiramente positiva, apesar de em setembro ter ficado nos -0,1% em termos homólogos.

Por seu lado, o economista-chefe da zona euro do Unicredit Research, Marco Valli, considerou à Efe que “o momento em que anunciarão os estímulos dependerá principalmente de quando o Conselho de Governadores reconheça que as projeções de inflação da zona euro são demasiado otimistas”.

O BCE antecipa que a inflação da zona euro se situe em 1,1% em 2016 e em 1,7% em 2017.

Alguns membros do Conselho de Governadores têm considerado prematuro discutir um reforço do programa de compra de ativos lançado com o objetivo de impulsionar a economia da zona euro e estimular a inflação.

O governador do Banco central da Áustria, Ewald Nowotny, disse recentemente que a ampliação do programa só será discutida quando for necessário e que agora é demasiado cedo. Também o presidente do banco central da Lituânia, Vitas Vasiliauskas, mostrou a sua oposição a uma rápida ampliação do programa.

Desde março que o BCE compra mensalmente cerca de 60 mil milhões de euros de dívida pública e privada.

O Conselho de Governadores do BCE — que integra o conselho executivo dos governadores dos bancos centrais nacionais – reúne-se esta quinta-feira na cidade de St. Julian’s, em Malta. Tradicionalmente este órgão encontra-se duas vezes por ano fora da sua sede, em Frankfurt, na Alemanha.