A vida de um agente secreto pode ser muito mais aborrecida do que os filmes do 007 mostram. Mas não deve ter menos classe e honradez. Que o digam os agentes espanhóis, que desde 12 de outubro têm um código ético que os aconselha a serem discretos, a agir com “espírito de sacrifício” e “austeridade e rigor”. Se a primeira característica ainda permitia sonhar com uma carreira próxima do que faz James Bond, já as duas últimas parecem não se coadunar.

Ao todo, o serviço secreto espanhol compilou vinte princípios de conduta num documento de 14 páginas que, diz o El País, demorou meses a ser feito e exigiu a criação de um grupo de trabalho no qual participaram vários especialistas. O jornal não revela quanto custou a elaboração do código, cuja primeira regra é a de que os agentes devem agir “de acordo com os princípios do presente código”. Segue, nos artigos dois e três, a aconselhar “abnegação e espírito de serviço” e “rectidão”.

Os serviços secretos espanhóis consideraram ainda útil escrever no documento que os agentes devem manter “rigorosa reserva” sobre informações que obtenham e sobre a própria profissão, que nem “o círculo mais íntimo” deve conhecer. Tudo com o objetivo de contribuir, “com absoluta dedicação e esforço, para fazer da sociedade em que vivem um lugar mais livre, mais seguro e mais justo”.

Os serviços secretos espanhóis, na sua versão atual, existem desde 2002. Dele fazem parte militares, antigos polícias e cidadãos comuns, que representam mais de 60% do corpo de agentes.