1. O espaço

Apesar do nome, das parrilladas, das noites de tango e da influência de Chakall — cuja ligação à casa terminou amigavelmente este mês — o Volver de Carne Y Alma é, pelo menos no que respeita ao espaço, muito menos sul-americano do que se poderia esperar. É um restaurante confortável e bem decorado, com zonas mais e menos recatadas, da entrada à mezzanine, e espaço suficiente entre mesas para se poder conversar à vontade e até, dependendo da mesa, esticar os braços à Cristo, privilégio raro em muitas salas de jantar lisboetas. A iluminação ajuda a tornar o ambiente ainda mais intimista. Ou seja, é abaixo da média (luz). E calha bem porque tudo o resto é acima.

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Já não há “by Chakall” nem turbantes na cozinha, mas continua o mesmo ambiente intimista a média luz. (foto: DR / Volver de Carne Y Alma)

2. A localização

É verdade, o restaurante fica no Lumiar, num quarteirão quase exclusivamente residencial, em frente à escola secundária do bairro. Mas essa aparente falta de charme e centralidade é compensada por outros fatores. E se os bons acessos ou a facilidade de estacionamento podem não chegar para convencer os mais céticos talvez a surpresa o consiga. Se estivesse no Chiado, Príncipe Real, Cais do Sodré ou qualquer outra zona da cidade acostumada ver-se coligada aos anglicismos trendy, fashion ou hotspot, o Volver não causaria metade do impacto a quem o visita pela primeira vez. Chegar ao Lumiar e respetivos erros urbanísticos típicos do final do século passado e dar de caras com um restaurante deste calibre é, no mínimo, inusitado. Mas sabe bem.

3. O taping

Longe vão os tempos em que naquele mesmo espaço, então chamado Quinta dos Frades, se serviam clássicos do receituário nacional, como o bacalhau à Narcisa ou o cozido à portuguesa. Muito longe. A ementa de hoje é bastante mais criativa, mérito de quem foi passando pela cozinha e de quem lá está atualmente, o chef David Page (que, apesar do nome, é português). Prova disso mesmo são os chamados menus de taping, pensados, segundo a responsável do restaurante, Alexandra Gameiro, para “jantares informais de amigos”. São menus temáticos, servidos sob reserva aos jantares de segunda a quinta-feira, cujo conceito e composição vai mudando trimestralmente. A sugestão atual dá pelo nome de Spicy Taping — a temática é auto-explicativa — e inclui, entre outros, um muitíssimo original surf y turf: gravlax de salmão e pato fumado, quinoa com crumble de morcela, arandos, malagueta e coentros ou ovo cozido a baixa temperatura com tomate grelhado, cécina e azeite trufado. São, ao todo, seis pratos, descontando couvert e as sobremesas. Por 20€/pessoa é bom negócio para o cliente.

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O surf y turf de pato e salmão, um dos pratos do menu Spicy Taping.
(foto: DR / Volver de Carne Y Alma)

4. A carne

Alexandra Gameiro é clara quanto aos seus objetivos para o Volver: “Queremos ser um dos melhores restaurantes de carne de Lisboa”. O propósito não vem de agora. Alexandra conta que trabalha com carne maturada “há mais de oito anos”, muito antes, portanto, de o produto se tornar uma espécie de fetiche de várias casas da cidade. Mas como é sempre possível melhorar, a nova carta de inverno do restaurante promete, citando, “uma nova seleção de cortes, maturações e empratamentos”. E cumpre essa promessa: da entraña wagyu australiana ao rib-eye argentino e do baby beef de vazia maturada ao famoso chuletón de Ávila, há muito por onde escolher. E aprender, já agora, porque a carta tem uma componente pedagógica — não só informa sobre a origem, a textura e o sabor da carne como explica os processos de maturação e aconselha o ponto ideal a que se deve pedi-la.

5. As sobremesas

Para garantir que neste novo menu ninguém sai da mesa com a boca amarga, Alexandra contou com a colaboração do chef Joaquim de Sousa, do hotel The Oitavos, criador de uma sobremesa que correu mundo e se tornou viral, no início do ano. E embora essa célebre Floresta Negra não faça parte da oferta do Volver, há criações diversas que devem ser tidas em conta, como a pavlova, o cheesecake fumado com morango, limão, bacon, beterraba e amêndoa, uma torta rogel, um clássico argentino, com um twist português — queijo da serra — ou uma trilogia de chocolate, amendoim e caramelo que também mete alfarroba ao barulho. Não podendo experimentar todas de uma vez, há bom remédio: voltar. Perdão, Volver.

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A pavlova já devidamente encetada. (foto: DR / Volver de Carne Y Alma)

Nome: Volver de Carne Y Alma
Morada: Rua de Luís Freitas Branco, 5D (Lumiar), Lisboa
Telefone: 21 759 8980 / 96 601 1180
Emailvolver@motivo.pt
Facebookfacebook.com/restauranteVolvercarneyalma
Horário: De segunda a quinta do 12h30 às 15h e das 19h30 às 00h30. Sexta do 12h30 às 15h e das 20h à 01h. Sábado das 20h à 01h
Preço Médio: 30€
Reservas: Aceitam