A Comissão Europeia apresenta esta sexta-feira uma proposta que pretende incluir nos testes aos veículos a medição das emissões em condições reais de condução, avança o El País. A proposta vem na sequência do escândalo que abalou a Volkswagen e o setor automóvel em setembro e que está relacionado com falsificações dos resultados aos testes às emissões poluentes.

Bruxelas tem estado a preparar um acordo que pretende evitar novos escândalos na indústria automóvel mas, segundo o El País, o plano de Bruxelas será rejeitado, visto que os Estados-Membros querem propostas menos duras, em especial a Alemanha. Berlim quer mais tolerância com os limites para as emissões e adverte que é necessário proteger a indústria dos carros diesel.

Até ao momento, as emissões dos veículos são apenas medidas em laboratório, o que leva a que sejam registados níveis muito mais baixos do que se eles fossem medidos em condições reais de condução. Esta nova proposta poderá trazer problemas para o setor automóvel, porque é comum que os motores emitam mais gases (e tenham maiores consumos) em condições reais do que na estrada.

O plano de Bruxelas prevê uma fase de adaptação às novas regras e à utilização de testes em estrada. Durante essa fase de transição será possível que os fabricantes excedam em até 60% os limites permitidos (80 miligramas de dióxido de nitrogénio), mas só até 2017. A proposta quer deixar uma pequena margem, mas forçar a que os limites sejam atingidos antes de 2019.

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A proposta tem gerado várias discussões, quer sobre os limites dos níveis na fase de transição, quer sobre o período máximo fixado para a sua aplicação. Todos os países querem condições menos rigorosas pelo menos até 2020. A Alemanha deixou, primeiro, que os outros países se manifestassem, consciente dos perigos que um pedido de emissões mais altas podia provocar na sua imagem, sobretudo depois do escândalo da Volkswagen.

Berlim, segundo o El País, não aceita a proposta mas também não discute os prazos nem os limites da fase de transição, centrando-se apenas nos prazos finais. Quer que em 2019 os carros possam exceder as emissões até 40% e pede pragmatismo na hora de fixar valores finais, acusando Bruxelas de não ter realizado os estudos necessários para medir os impactos das novas medidas na indústria automóvel.