As taxas de juro da dívida nacional estão a cair nos mercados em todos os prazos, numa manhã de sexta-feira em que as taxas nos outros países da chamada periferia europeia estão a subir e a corrigir um pouco do alívio geral proporcionado quinta-feira por Mario Draghi. As taxas a 10 anos de Portugal estão nos níveis mais baixos dos últimos cinco meses.

Os analistas respiraram de alívio com a indigitação da coligação PSD-CDS, apesar da incerteza que permanece sobre o horizonte próximo na política portuguesa. Eis o que dizem os analistas do Royal Bank of Scotland: “como esperávamos, o Presidente Cavaco Silva não cedeu à pressão da esquerda para que desse um mandato ao socialista António Costa, notando que um governo de centro-direita poderá não garantir estabilidade mas que ‘as consequências económicas, financeiras e sociais’ de um governo com os partidos de esquerda seriam ‘graves'”.

O Royal Bank of Scotland (RBS) diz que deve ser entendido pelos investidores como “um alívio” a “mensagem que o Presidente enviou de que este faria tudo o que estiver ao seu alcance ‘para evitar enviar o sinal errado às instituições financeiras, investidores e mercados, colocando em risco a confiança externa e a credibilidade do país'”, parafraseiam os analistas do influente banco londrino.

É este tipo de leitura que estará a ajudar a dívida portuguesa a valorizar-se (e os juros implícitos a cair), dando sequência ao forte alívio dos juros que Mario Draghi provocou na sessão de ontem com um pré-anúncio de mais estímulos monetários. As taxas de juro a 10 anos estão a cair dois pontos base para 2,31% enquanto as de Itália e as de Espanha estão a subir três pontos base, para 1,48% e 1,62%, respetivamente.

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Todos os países da periferia tiveram uma tarde de fortes descidas dos juros na quinta-feira, com os analistas a preverem um reforço do programa de compra de ativos por parte do Banco Central Europeu (BCE). Mas enquanto os de Itália e de Espanha estão já a ceder um pouco dos ganhos (no preço das obrigações, que oscila em sentido inverso aos juros), a indigitação da coligação liderada por Passos Coelho estará a ajudar a dívida portuguesa a continuar a aliviar os respetivos juros, resistindo à tendência natural de alguns investidores para venderem os títulos e, assim, concretizarem uma mais-valia depois dos ganhos (no preço) de ontem.

A expectativa do RBS é que “um novo governo esteja empossado dentro de um par de semanas, no máximo” e, aí, “os juros das obrigações portuguesas irão ter um desempenho fortemente positivo”.