Já imaginou estar num aeroporto e receber uma mensagem no telemóvel dizendo-lhe que tem de se apressar para o seu voo – ou, pelo contrário, que o tempo lhe permite ainda relaxar numa das áreas lounge do terminal? Ou que a 100 metros de si se encontra uma loja com descontos de x por cento?

A ideia está a ser pensada nos Estados Unidos, onde vários aeroportos pretendem lançar já em 2017 sistemas de reconhecimento e monitorização dos telemóveis dos passageiros, com o objetivo de lhes enviar informações que considerem úteis, relata a NBC News.

Este sistema baseia-se em pontos de acesso conhecidos por “Beacons”, que utilizam a tecnologia bluetooth para detetar dispositivos móveis e permitir a troca de informação. Os “Beacons” foram desenhados e são utilizados como uma tecnologia de proximidade, uma vez que o alcance do sinal de bluetooth (que é, na prática, um sinal de rádio) é relativamente reduzido.

Segundo Ron Reed, o diretor da empresa SITA, que providencia serviços na área das tecnologias de informação à indústria de viagens, explica que “o uso mais imediato para estes pontos de acesso é ajudar a encontrar caminhos. Podem ser usados para encontrar um ponto no mapa, para ajudar os passageiros a viajar até diferentes pontos de interesse – sejam estes a sua porta de embarque, um restaurante ou a casa de banho mais próxima”.

Alguns aeroportos norte-americanos já têm programas deste tipo a funcionar – mas a maioria são ainda pouco sofisticados. No Newark Liberty International Airport, por exemplo, a United Airlines instalou pontos de acesso e uma aplicação móvel para criar mapas dinâmicos, que permitem aos clientes saber quanto tempo demorarão a chegar até às mais diversas zonas do aeroporto. “A pessoa que tiver uma escala de uma hora pode assim ter mais confiança que pode ir a uma casa de banho e comprar um hambúrguer, e que ainda assim chegará a tempo do voo”, explicou o porta-voz da companhia aérea, Rahsaan Johnson. 

Também aeroportos como o John F. Kennedy (Nova Iorque) e o Aeroporto Internacional de Cincinatti/Northern Kentucky (Kentucky) têm sistemas a trabalhar com pontos de acesso wireless, que servem maioritariamente para monitorizar o tempo de espera dos passageiros.

Mas o Aeroporto Internacional de Miami quer ir mais longe: o aeroporto implantou 450 pontos de acesso com três fins. Um deles é ajudar os passageiros a encontrar caminhos e sítios existentes no interior do aeroporto. O segundo é enviar notificações (por exemplo, cupões para utilizar em lojas ou restaurantes específicos que se encontrem por perto), e o terceiro é reunir dados operacionais para o próprio aeroporto. Os responsáveis tiveram algumas preocupações com a privacidade dos utilizadores, já que tornarão voluntária a receção destas notificações.

“O cliente vai atravessar o aeroporto; nós conseguiremos monitorizar [o processo], e poderemos utilizar isso para melhorar as nossas operações internas”, explicou o diretor das telecomunicações e dos sistemas de informação do aeroporto, Maurice Jenkins.

O tema promete trazer alguma controvérsia para os passageiros, já que, segundo um inquérito recente da Flightview Inc., uma empresa que se dedica à monitorização dos voos momento a momento, 53 por cento dos inquiridos afirmaram que permitiriam aos aeroportos monitorizar os seus telemóveis para saber a dimensão das filas existentes na zona de embarque, ou o tempo previsto de cada caminhada dentro do aeroporto. Mas apenas 16 por cento desses inquiridos respondeu que valorizaria a receção de mensagens sobre os serviços e ofertas existentes nos aeroportos em que se encontrassem.

“As pessoas ficam assustadas quando recebem uma mensagem irrelevante, que não solicitaram nem quiseram receber (…) Mas quando recebes uma mensagem a dizer que há um tempo de espera de 12 minutos na zona de embarque e tens uma hora para apanhar o voo (…) [isso] torna-se algo informativo e relevante”, explicou Glenn Tinley, o presidente e CEO da Mexia Interactive, que trabalha na prestação de serviços tecnológicos adaptados às zonas geográficas.

O futuro parece ser ter uma espécie de Google Maps específico para cada aeroporto, pelo menos nos Estados Unidos – e não será de estranhar que na Europa os aeroportos adotem um sistema semelhante.