Primeiro, uma adivinha: sabe há quanto tempo é que o Sporting não era líder isolado do campeonato? A resposta é duplamente surpreendente: por um lado, parecia que tinha sido há mais tempo; por outro lado, foi há tempo de mais tendo em conta que o Sporting é considerado um grande do futebol nacional. Ora, foi há dois anos, na época 2013/2014.

Vem isto a propósito de uma partida que se jogou no Estádio do Dragão apenas meia hora depois de o Sporting deixar a Luz em choque, naquela que foi uma vitória histórica dos leões sobre as águias. O FC Porto subiu ao relvado já consciente de que, se queria manter-se coladinho aos rapazes de Alvalade, tinha de vencer o Sporting de Braga. E até nem parecia tarefa difícil: em jogos para a Primeira Liga, é preciso recuar até 2006 para encontrar uma vitória bracarense em confrontos com os dragões. E, pelo meio, apenas dois empates. Tudo o resto foi saldo positivo para o FC Porto.

Talvez confiantes de que a História é uma disciplina certa e tende a repetir-se ou surpreendidos pelo que se tinha passado na Luz, os portistas começaram o jogo num ritmo relativamente baixo, sem grandes acelerações. Do onze inicial do FC Porto tinham saído Maxi Pereira, Rúben Neves e Corona. Curiosamente, na segunda parte, vendo o caso mal parado, Lopetegui apostou nos dois últimos para dar mais velocidade e frescura a uma equipa que não teve rasgo artístico, apesar de ter estado sempre melhor do que o Braga.

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Aboubakar, um dos mais insatisfeitos da primeira parte, ameaçou logo aos nove minutos as redes bracarenses. Recebeu a bola do lado direito, fintou um adversário, puxou o pé esquerdo atrás e pum!, bola ligeiramente por cima da trave. A cena repetir-se-ia muitas vezes ao longo do jogo, mas com diferentes protagonistas: Carlos Bueno (entrado para o lugar de um desinspirado Imbula) e Cristian Tello foram dos que mais deram que fazer a Kritciuk, o guarda-redes do Braga que manteve as redes por violar.

Do outro lado estavam uns guerreiros concentrados, empenhados em não deixar acordar o dragão. Os defesas centrais, Ricardo Ferreira e Boly, raras vezes se deixaram ultrapassar, raras vezes deixaram que o perigo se acercasse da grande área. Nos intervalos dos constantes ataques do FC Porto, Rafa explodia na lateral e tentava cavalgar até à área portista, mas Casillas acabou por ser pouco mais do que um espectador do encontro. 

Perdeu o FC Porto a possibilidade de seguir atrás do Sporting, perdeu o Braga a hipótese de assaltar o terceiro lugar. O dragão foi demasiado mansinho para uns guerreiros concentrados.