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PR moçambicano avisa para situação económica adversa

Presidente moçambicano assumiu que a economia do país enfrenta uma conjuntura adversa, traduzida pela queda do metical, diminuição de divisas e investimento.

ANTONIO SILVA/EPA

Autor
  • Agência Lusa

O Presidente moçambicano assumiu nesta quinta-feira que a economia do país enfrenta uma conjuntura adversa, traduzida pela queda do metical, diminuição de divisas e investimento, e avisou que Moçambique está a consumir mais do que aquilo que produz.

“Em cada ano, o país regista maior saída de divisas do que entradas, ato que tem sido superado com recurso à ajuda externa e significa que estamos a consumir mais do que produzimos”, alertou Filipe Nyusi, discursando hoje em Maputo na gala de aniversário do banco Millennium Bim.

Avisando que não ia fazer “o discurso habitual”, o Presidente moçambicano passou em revista os principais indicadores económicos do país, começando pela forte desvalorização de 33,9% do metical face ao dólar, entre dezembro de 2014 e a primeira quinzena de outubro deste ano.

Nyusi referiu que “o metical não é caso único” e que a sua desvalorização face à moeda norte-americana é menor do que outros países, “embora não seja motivo de pouca preocupação”.

Segundo o chefe de Estado, a expressiva flutuação do metical é também explicada pela descida das cotações internacionais de matérias-primas, com impacto nas exportações de Moçambique, que vende essencialmente energia, gás, alumínio, algodão e açúcar.

O Presidente moçambicano lembrou que nos últimos anos o país tem sido atingido por cheias, o que “agrava o cenário estrutural de baixa produção e produtividade agrícola e pressiona a importação de bens de consumo e de capital”.

Reconhecendo que Moçambique “não fez muito em relação ao esforço da gestão da natureza em 40 anos”, Filipe Nyusi destacou que as importações tradicionais aumentaram 17% no primeiro semestre em comparação ao mesmo período do ano passado e que as exportações subiram apenas 0,5%.

“O efeito combinado destes dois fatores agravou o défice da balança de transações correntes que já era estruturalmente deficitária”, lamentou o Presidente da República, o que justifica a perda de divisas no mercado cambial, também “agravada pelo encarecimento desonesto de alguns operadores financeiros”.

No ano passado, prosseguiu, o país recebeu 314 milhões de dólares (286 milhões de euros ao câmbio atual) em divisas, além de mais-valias pagas também em divisas, contra 205 milhões (186 milhões de euros) nos primeiros nove meses de 2015 e sem mais-valias.

Esta situação é também explicada pela diminuição da ajuda externa e do investimento direto estrangeiro, uma realidade que, segundo Nyusi, o Governo “tem vindo a partilhar com frontalidade”, que se soma ao aumento da dívida externa para 251 milhões de dólares (228 milhões de euros) nos primeiros nove meses de 2015 contra 135 milhões de dólares (123 milhões de euros) em igual período do ano passado.

“Fica clara uma maior exposição do metical às intempéries de uma conjuntura adversa”, assinalou o chefe de Estado, ressalvando que este quadro resulta de “uma realidade cumulativa e que remete para “mais concentração” no programa de produção intensiva.

“Esta realidade não nos deve colocar numa situação de desespero. Deve-nos desafiar como dirigentes, como país, como sistema financeiro de um país independente para elevar os indicadores para um desenvolvimento económico sustentável”, declarou.

Pela positiva, o Presidente moçambicano salientou uma inflação “baixa e controlada” e que o crescimento do Produto Interno Bruto se fixou em 6,3% no primeiro semestre, “abaixo dos níveis de 2014, mas dentro da trajetória do objetivo traçado” de 7,5% para 2015.

Para Nyusi, o Governo tem “a obrigação de encontrar soluções e transformar esta conjuntura em grande oportunidade, resistir a medidas paliativas e implementar reformas estruturais do tecido produtivo”.

Em conclusão, o Presidente moçambicano disse que “é hora de acordar do sonho infinito de simples vontades e começar a produzir de forma competitiva e multissetorial”, o que exigirá “uma nova atitude” dos agentes do Estado, do setor privado, sistema financeiro e sociedade em geral.

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