Maria João Avillez

Assunção Cristas e a política: “Inspirei-me em Jesus”

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A ministra da Agricultura explica que não hesitou em seguir o exemplo de Jesus Cristo, "que nunca teve medo de se meter com gente pouco recomendável", para ingressar na política.

MANUEL DE ALMEIDA/LUSA

Autor
  • Miguel Santos Carrapatoso

Inspirei-me em Jesus que nunca teve medo de se meter com gente pouco recomendável“. As palavras pertencem à ministra da Agricultura, Assunção Cristas, que na terça-feira participou na segunda sessão das Conversa sobre Deus – uma iniciativa da Capela do Rato, com o patrocínio da Rádio Renascença.

Numa conversa moderada por Maria João Avillez, a dirigente centrista explicou como começou o seu relacionamento com a fé e com a religião. Primeiro, na infância, altura em que ainda era a mais nova da família – Assunção Cristas nasceu em Angola, mas dois dos seus quatro irmãos já nasceram em Portugal. “A fé foi transmitida na ternura dos afetos familiares“, sobretudo pela influência da avó, Maria da Assunção, de quem, de resto, herdou o nome, como revelou a ministra.

Depois, numa segunda fase da vida, foi abraçando a fé no Colégio do Bom Sucesso. Se antes a fé era personificada pela imagem “do Pai Natal, o adjunto do menino Jesus”, depois passou a ser alimentada pela imagem de “um Deus, amigo acolhedor, que perdoa todos os nossos pecados“.

Mesmo reconhecendo que a relação “com as três pessoas da Santíssima Trindade” foi sendo diferente “ao longo do tempo e da vida”, essas três figuras ocupam um papel central na vida da ministra e na relação que alimenta com a fé. Jesus é “um companheiro de vida, um exemplo e um filtro de ação. O Espírito Santo é “um companheiro mais íntimo” a quem pede “muita sabedoria, iluminação e discernimento”. E “Deus é o Pai, aquele que desejo, aquele que está à nossa espera e um dia vou poder aninhar-me no colo d’Ele. Deus alimenta-nos num desejo de chegar a Ele”, explicou a ministra. Esta ligação intima com a fé não significa que não tenha dúvidas. Simplesmente, é algo que não chega para colocar obstáculos no seu caminho. “Se nada disto for verdade, eu sou muito feliz assim“. 

Um caminho que foi oferecendo, aqui e ali, desvios inesperados. Foi quando estava decidida em apostar na carreira académica, na advocacia e no papel de mãe, que a política se lhe apareceu. Não esconde que tem saudades do tempo para estudar e investigar, mas é na política que se sente “muito feliz” e é a política que lhe pode vir a ocupar “a vida toda” – pelo menos, foi algo que não rejeitou. Ela que é apontada como uma possível sucessora de Paulo Portas na liderança do partido. “Nós trilhamos uns caminhos, a vida traz outros e faz parte de ser católica aceitar outros caminhos”, afirmou Assunção Cristas.

Mas estar na política não significa, em certa parte, conviver com companhias duvidosas e, por isso mesmo, estar sujeita a ataques ao seu bom nome e reputação? É algo que não assusta a ministra. Mais uma vez, é o exemplo de Jesus Cristo, “que nunca teve medo de se meter com gente pouco recomendável”, que a guia.

O próximo convidado d’As “Conversas com Deus” será Marcelo Rebelo de Sousa. Seguem-se Maria de Belém, Fernando Santos, Pedro Mexia, a fadista Carminho, Henrique Monteiro e João Taborda Gama, o recém-nomeado secretário de Estado da Administração Local. As “Conversas” vão estender-se até 16 de dezembro e são transmitidas, no essencial, às quintas-feiras, entre as 22hoo e as 22h30, pela Rádio Renascença.

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