“A maratona de Nova Iorque é muito exigente. As 02h26 horas que fiz foram na altura, e continuam a ser, um grande resultado. Acho até que é injusto quando se compara a marcas de maratonas diferentes. Além do percurso, também há a questão do tempo. No ano passado, tivemos um tempo horrível, um frio, um vento… As 02:26 foram muito boas e, se eu as fiz no ano passado, numa estreia, sem saber para o que ia, naquelas condições, gostava imenso de melhorar a marca e acredito que é possível, até porque em termos de preparação, tenho bons indicadores”, reconheceu a atleta do Sporting.

Sara Moreira não esconde até estar “mais preparada” do que em 2014, mas lembrou que só no domingo poderá confirmar se as sensações têm tradução real. “A corrida pode ser lançada em bases lentas e depois é mais complicado recuperar tempo no final. Mas eu, fisicamente, sinto-me preparada para correr mais rápido que 02:26 horas”, reforçou.

A fundista de Santo Tirso sabe que colocou a fasquia bem alta quando se tornou a melhor europeia nos 42 quilómetros da prova de Nova Iorque — “fui terceira, foi uma estreia auspiciosa e, portanto, os olhos ficaram logo colocados em mim” — e que agora carrega consigo as expetativas do público, que espera que faça melhor este domingo.

“As coisas não são assim. Se fosse assim era excelente e eu espero que seja. Mas temos de ter a noção de que a corrida começa novamente do zero. As adversárias são outras, são todas muito boas, todas querem o melhor resultado possível. E no ano passado se a sorte — eu acredito que a sorte dá muito trabalho — esteve do meu lado, este ano pode não estar”, alertou.

A campeã europeia de 3.000 metros em pista coberta de 2013 admite que vai partir para a maratona nova-iorquina com o lugar no pódio da última edição em mente, porque este não foi obra do acaso.

“Tive um dia sim, senti-me bem, as adversárias também ajudaram, porque não foram mais fortes do que eu. Apesar disso, sei que uma maratona é sempre imprevisível, por muitos e variados fatores. Primeiro, porque tem de estar tudo bem naquele dia, àquela hora, naqueles 42 quilómetros. É muito tempo a correr e basta alguma coisa não estar bem para as coisas não correrem como nós prevemos. Além disso, há o nível das adversárias”, destacou.

Quanto à hipótese de subir ainda mais alto no pódio, Sara Moreira acredita que é sempre possível chegar mais à frente.

“Tenho claro na minha mente o lugar que fiz o ano passado, mas não me sinto mais pressionada, porque sei que ninguém mais do que eu quer correr bem, ninguém treinou aquilo que eu treinei. As pessoas podem opinar sobre a maratona, mas quem treinou fui eu. Quem sofreu fui eu, quem passou por momentos difíceis fui eu. A pressão sou eu que a tenho de colocar e não coloco, porque não vale a pena. Eu quero é que, naquele dia, as coisas corram conforme eu preparei. Estou bem preparada, portanto quero mostrar naquele dia aquilo que treinei”, resumiu à Lusa.

E o que treinou não é mensurável em semanas, apesar de a preparação específica para a maratona ter sido feita durante oito semanas, às que acrescem as outras de ‘apuramento’ de forma para os Mundiais de atletismo de Pequim, nos quais foi 12.ª nos 10.000 metros.

“São treinos bi-diários, semanalmente, muitos quilómetros, muito desgaste físico e a recuperação é muito importante. Inicialmente, tive uma mazela física que me limitou e falhei alguns treinos que eram importantes, mas depois consegui recuperar e, no fundo, consegui fazer aquilo que estava previsto. Nas últimas semanas fui aliviando o número de quilómetros e fui-me começando a sentir cada vez melhor. Depois vai aumentando a ansiedade, que temos de conseguir ultrapassar, porque isto é a nossa vida”, concluiu.