Com cerca de 12 metros de comprimento e 100 mil quilos de peso, a baleia-de-omura é um animal respeitável. Apesar disso,  conseguiu permanecer escondida dos olhos curiosos dos cientistas. Até agora.

Uma equipa de investigadores, liderada pelo biólogo marinho Salvatore Cerchio, do New England Aquarium e do Woods Hole Oceanographic Institution, descobriu um grupo de baleias-de-omura ao largo da ilha de Madagáscar. Pela primeira vez, os cientistas puderam ter uma ideia dos hábitos e rotinas destes mamíferos, que durante tanto tempo permaneceram desconhecidos. 

A baleia-de-omura só foi descoberta em 2003, por Shiro Wada, Masayuki Oishi e Tadasu K. Yamada, um grupo de cientistas japoneses. A nova espécie pôde apenas ser identificada a partir de restos mortais, uma vez que nunca tinham sido avistados espécimes vivos.

O primeiro encontro com a omura só viria a acontecer quase dez anos depois, em 2010, quando Salvatore Cerchio e a sua equipa se encontravam ao largo de Madagascar a observar golfinhos. Na altura, os cientistas pensaram que se tratavam de baleias-de-bryde, que vivem na região. Mas nem todos ficaram convencidos. Alguns dos colegas de Cerchio acharam, porém, que se podia tratar de uma nova espécie de baleias 

O derradeiro encontro viria a acontecer apenas em 2013, quando o grupo de investigadores se aventurou em águas mais fundas. No espaço de alguns dias, conseguiram avistar cerca de 13 espécimes e, ao observá-las mais de perto, conseguiram perceber que não se tratavam, afinal, de baleias-de-bryde. “Fiquei entusiasmado porque sabíamos que tínhamos encontrado baleias-de-omura”, disse Cerchio, citado pela BBC.

A equipa de investigadores conseguiu recolher amostras de 18 espécimes adultos e fotografar 25 animais, de acordo com a Quartz. As imagens mais bonitas, porém, são as que ficam imortalizadas em vídeo. 

Em 2014, testes genéticos confirmara a identidade do grupo de baleias de Madagascar. Tratavam-se, de facto, de baleias-de-omura. “Ao longo dos anos, têm existido alguns avistamentos, mas nada que fosse confirmado. Elas aparecem em regiões remotas e são difíceis de encontrar no mar porque são pequenas — têm entre oito e 28 metros — e não deitam um esguicho proeminente”, disse o cientista. Em comparação, uma baleia-azul, por exemplo pode chegar a medir quase 31 metros.

Os resultados da investigação de Salvatore Cerchio e da sua equipa foram recentemente publicados na revista Royal Society Open Science. Até ao momento, já foram registados 44 avistamentos.