54 milhões de turcos têm até às 17h00 deste domingo (hora de Ancara, mais três horas do que em Lisboa) para dizerem se, cinco meses depois das últimas eleições, desta vez querem um partido com maioria absoluta. As votações têm decorrido sem incidentes.

No sudeste da Turquia, onde fica Diyarbakir, cidade conhecida como a capital turca do Curdistão, as medidas de segurança são apertadas. Após tumultos e a imposição de recolher obrigatório nos dias que antecederam as eleições, a Reuters escreve que tudo decorre com normalidade.

A seguir ao objetivo de conseguir uma maioria absoluta para o AKP (Partido da Justiça e o Desenvolvimento, centro-direita islamita), a principal preocupação do presidente Recep Tayyip Erdoğan é a segurança, numa altura em que a violência tem pautado o país. A 10 de outubro, duas explosões em frente à estação central de comboios da capital da Turquia, Ancara, provocaram pelo menos 97 mortos e mais de 200 feridos, naquele que é o pior atentado da história da Turquia. Este sábado, a Força Aérea turca bombardeou posições do Estado Islâmico na Síria, junto a Harcele, na fronteira.

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“Todos temos de respeitar o resultado da vontade nacional”, disse Erdoğan quando votou, escreve a agência turca Anadolu. Nas eleições parlamentares de junho, o AKP, de que Erdoğan já não é membro por ser presidente da Turquia, obteve 40,9% dos votos (258 dos 550 deputados). Apesar da vantagem para o segundo (Partido do Povo Republicano, centro-esquerda, 26%) e o terceiro classificados (Partido do Movimento Nacionalista, direita nacionalista, 16,3%), Ahmet Davutoğlu, o candidato do AKP a primeiro-ministro, não conseguiu chegar à maioria absoluta e, depois de meses de diálogo com os outros partidos, levantou-se da mesa de negociações sem uma coligação. Erdoğan convocou então novas eleições, mas as sondagens indicam que os resultados podem não ser muito diferentes desta vez.

Em agosto do ano passado, Erdoğan foi eleito presidente à primeira volta. O homem que governou a Turquia com maioria absoluta entre 2003 e 2014 não esconde a ambição de transformar o atual sistema parlamentar num regime presidencial, e assim alterar o sistema político imposto em 1923 por Mustafa Kemal Ataturk, o fundador da Turquia republicana. É também isso que está em causa nesta eleição, ver o AKP com maioria absoluta para depois tentar alterar a Constituição.