Decorreu durante este mês a primeira edição dos Jogos Mundiais Indígenas que, entre 23 e 31 de outubro, se realizaram na cidade de Palmas, capital do estado brasileiro de Tocantins, no interior do país. Para além da participação dos habituais povos brasileiros, os jogos deste ano reuniram ainda cinco mil participantes de 22 países diferentes, como Bolívia, Costa Rica, Estados Unidos da América, Mongólia ou Nova Zelândia. 

Os jogos indígenas são já uma tradição entre os povos brasileiros. Há 12 anos que se realizam no país, em diferentes cidades e com o apoio do governo federal. Este ano foi a primeira vez que se estenderam a outros povos, uma iniciativa que, de acordo com a BBC Brasil, terá partido dos terenas, um povo indígena brasileiro que vive no estado de Mato Grosso do Sul. Este primeiro evento mundial poderá, até, levar à criação de uma espécie de comité para organizar as próximas edições fora do Brasil. 

Os Jogos Indígenas misturam competições desportivas tradicionais, como o futebol, com demonstrações de alguns desportos e atividades culturais tradicionais por parte dos povos presentes. Os atletas em competição são escolhidos pelos chefes de cada tribo.

Nos desportos de competição incluem-se o tiro ao alvo (com arco e flecha), a lança, o jogo da corda, a corrida “rústica” dos 100 metros, a corrida com toras, a canoagem tradicional e a natação. Nem todas as modalidades são disputadas pelos povos presentes. Por exemplo, em algumas delas, apenas participam indígenas brasileiros.

O evento deste ano foi marcado por manifestações e pelo boicote de algumas étnicas, como os Krahô e os Apinajé, por considerarem ser um “momento difícil” para os povos brasileiros. Numa nota divulgada pelas duas tribos antes do início dos jogos, estas apontaram como principais problemas a demora na demarcação das terras, os conflitos violentos com fazendeiros e as invasões de territórios já homologados por madeireiros e garimpeitos.

No mesmo comunicado, os membros dos Craós e dos Apinajé, naturais do norte do estado de Tocantis, teceram ainda duras críticas ao governo brasileiro e ao Congresso Nacional, que consideram responsáveis por esta situação.