Um grupo de investigadores estudou os padrões de sono dos nossos antepassados, nomeadamente de três sociedades pré-industriais. E o que descobriu? Que eles não dormiam mais do que acontece na idade moderna e global em que vivemos, ao contrário do que se pensava, mas também que ninguém sofria de insónias, explica a CNN.

O estudo foi publicado na Current Biology e procurou perceber de que modo é que sociedades antigas, da Tanzânia, Bolívia e Namíbia, dormiam antes do stress, da existência de tanta luz artificial, dos smartphones e das inúmeras distrações que agora afetam o sono ou a falta dele nas sociedades atuais.

De acordo com a CNN, os cientistas perceberam que embora existissem diferenças geográficas e culturais, as três sociedades, os Hazda (Tanzânia), os Tsimane (Bolívia) e os San (Namíbia) mostravam padrões de sono similares, dormindo em média entre 5, 7 a 7,1 horas por noite. Deitavam-se antes do pôr-do-sol e levantavam-se antes de ele nascer. Os resultados mostraram ainda que praticamente ninguém sofria de insónias, mesmo dormindo em locais exteriores.

Um dos maiores problemas da atualidade passa pelas grandes dificuldades em dormir. Para além dos problemas de sono serem incómodos, também são perigosos para a saúde. A falta de noites bem dormidas está associada a vários problemas de saúde como a obesidade, depressão, doenças cardiovasculares, para além de o nível de produtividade diminuir e das capacidades mentais e físicas serem afetadas. O estudo revelou ainda que aqueles povos eram mais saudáveis, embora o seu gasto energético fosse similar ou mesmo superior ao dos dias de hoje.

Um dos autores do estudo e ex-presidente da Sociedade de Pesquisa do Sono, Jerome Siegel, considera que tudo tem a ver com a qualidade do sono e que as 7 a 8 horas recomendadas pela maioria das instituições de saúde pública não são assim tão lineares, explicando que tudo dependerá da pessoa.

“Considero que as pessoas estão cansadas e que isso é um problema real (…) Acredito que algumas pessoas procuram ajuda porque estão ansiosas e não é porque não conseguem descansar, mas porque não estão a dormir o número de horas que era suposto dormirem “, disse.

Siegel revela que o mais importante não é contar o número de horas de sono, mas investir na qualidade dele, sugerindo a necessidade de se encontrar uma rotina diária, apostar no exercício físico, manter um peso saudável e reduzir o consumo de cafeína e álcool. O investigador explicou ainda que não é a luz que regula o padrão de sono mas sim o ciclo diário de mudanças de temperatura.

“Sim, desliguem as luzes, é importante para dormir, mas descubram também um modo de moderar a temperatura do vosso quarto (…) Tendo em conta as condições naturais, a temperatura não é apenas inferior à noite, ela vai diminuindo durante esse período”, acrescentou.

Embora acreditando que são necessários mais estudos, Jerome Siegel concorda que é importante interpretar positivamente estes resultados.