Terrorismo

Estado Islâmico e Al-Qaeda. As 12 ameaças a Espanha e Portugal

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Só este ano, os membros do Estado Islâmico e da Al-Qaeda lançaram 12 ameaças à Península Ibérica. O objetivo é a reconquista do al-Andalus, território que inclui Portugal, Espanha e parte de França.

Portugal faz parte do território que os grupos terroristas querem reconquistar, através de uma "Primavera Islâmica"

Wiki commons

O investigador e professor universitário Manuel R. Torres, que pertence ao Grupo de Estudos sobre a Segurança Internacional (GESI), fez um inventário das ameaças feitas a Espanha em 2015, por membros e organizações ligadas à Al-Qaeda e ao Estado Islâmico. Os dois grupos extremistas incitam à reconquista da parte da Península Ibérica ocupada por muçulmanos entre o século VIII e o século XV, no território conhecido como Al-Andalus.

10 de setembro de 2015: A “Primavera Islâmica” e a reconquista da península

A última ameaça surgiu a 10 de setembro, num vídeo onde o líder da Al-Quaeda incita a um movimento a que chama de “Primavera Islâmica”. O sucessor de Bin Laden fala do controlo islâmico de Al-Andalus no passado e diz que se deve levar “a guerra ao coração das casas e cidades do Ocidente”. Al Zawahiri desclassificou ainda a organização Estado Islâmico, a que chamou “ilegítima”. Mas afirmou que ambas podem juntar forças na luta contra o Ocidente.

9 de setembro de 2015: A vulnerabilidade do Ocidente

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Um artigo intitulado “Vingança para o profeta”, publicado a 9 de setembro na revista “Inspire” da Al-Qaeda, recupera declarações anteriores do sheikh Nasr al-Anisi, que menciona as “debilidades” que existem nos países ocidentais, referindo-se às suas respostas a ataques como o que foi feito à redação do Charlie Hebdo, em janeiro. “Os líderes dos [países] não-crentes deram-se conta disto [da sua vulnerabilidade] depois de terem sido surpreendidos pelos acontecimentos. Reparem como se reuniram, manifestaram e apoiaram mutuamente; fortalecendo as suas debilidades e cobrindo as suas feridas”, escreveu.

3 de setembro de 2015: “Irmãos em Espanha, peguem nas vossas armas” 

A 3 de setembro foi o braço militar da Al-Qaeda, “Al-Qaeda no Magreb Islâmico”, que num vídeo chamado “A incursão sagrada”, incitava diretamente os muçulmanos presentes em Espanha – sobretudo no enclave espanhol de Melilla, no norte de África – a “dirigirem-se para qualquer sítio que tenha uma jihad“, a “virem combater” e “pegar nas suas armas”.

29 de agosto de 2015: Estado Islâmico e as desejadas terras de Al-Andalus

A 29 de agosto era publicado um vídeo feito por um dos meios de propaganda do Estado Islâmico: o Centro de Media Al-Hayat. No filme, intitulado “a ascensão do califado e o regresso ao dirar de ouro”, surgem imagens da mesquita de Córdoba e do palácio e fortaleza de Alhambra, na cidade de Granada. O intuito? Recordar os tempos gloriosos em que a Península Ibérica era ocupada por muçulmanos. 

14 de julho de 2015: Mais uma menção à reconquista da Península

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Outro vídeo do Estado Islâmico, este publicado a 14 de julho e chamado “mensagem ao povo da Argélia”. O extremista islâmico Wilaya de Raqqa é claro: “Acendeu-se o fogo da guerra na Argélia, e as suas chamas não se extinguirão até à conquista de Al-Andalus”.

25 de junho de 2015: o regresso a uma Espanha muçulmana

A 25 de junho era publicado um número especial da revista “Resurgence”, um dos órgãos da Al-Qaeda. Nele consta uma entrevista extensa ao norte-americano Adam Gadham, um dos terroristas assassinados pela CIA em janeiro, no Paquistão. Na entrevista, Gadham fala da vontade em celebrar a “recuperação de uma Espanha muçulmana”.

15 de maio de 2015: recuperar Al-Andalus e criar “província” na Europa

Em maio foi difundido um vídeo do Estado Islâmico que deixava um aviso ao Ocidente: o califado anunciava querer criar uma “província” na Europa e retomar o controlo de parte da Península Ibérica – os territórios que outrora foram de domínio muçulmano.

12 de março de 2015: Primeiro Paris, depois Roma e Espanha

Numa gravação áudio dada a conhecer no dia 12 de março deste ano, o auto-proclamado líder do Estado Islâmico anunciava as  intenções da ISIS: “Devem saber que queremos [controlar] Paris – com a permissão de Alá -, antes de Roma e antes de Espanha. Depois é tempo de vos fazer as vidas negras e destruir a Casa Branca e a Torre de Eiffel, com a permissão de Alá (…)”, afirmava Abu Muhammad al Adnani.

22 de fevereiro de 2015: “Nas ruas com facas para rasgar ventres e decapitar cabeças”

A Fundação Media Al-Khilafah, que apoia o Estado Islâmico, difundia em fevereiro um artigo em francês, chamado “Os lobos solitários”, escrito pelo terrorista Hamil al-Bushra. Al-Bushra escrevia: “Eles [os lobos solitários] seguem o exemplo dos seus antecessores (…) revoltam-se contra a humilhação e saem às ruas de Madrid, Texas e Sydney, com facas nas suas mãos brancas, para rasgar ventres e decapitar cabeças (…) Sentireis a [sua] respiração quando forem discretamente aniquilados nas ruas de Londres, Madrid e Sidney”.

12 de fevereiro de 2015: o enaltecimento dos ataques a Madrid e Londres

Em fevereiro saía na revista Dabiq uma entrevista com Abu Umar al-Baljiki, um dos membros da jihad. Al-Baljiki enaltece os bombardeamentos a Madrid em 2004 e a Londres em 2005 – causados por extremistas ligados à causa islâmica, mas que não pertenciam a nenhuma célula oficial da Al-Qaeda. “As duas operações juntas mataram más de 200 cruzados, e feriram mais de 2000 pessoas”, escreve. A ideia é extinguir os não-crentes.

14 de janeiro de 2015: As feridas por sarar e a vingança esperada

A primeira ameaça do ano surgiu logo em janeiro, num vídeo do terrorista Nasr al-Inisi, que reclamava os louros do ataque à redação do Charlie Hebdo, em Paris. No vídeo, chamado “Vingança pelo Profeta: uma mensagem sobre a batalha sagrada de Paris”, Nasr al-Inisi, que viria mais tarde a reafirmar o mesmo num órgão de comunicação do Estado Islâmico, falava das feridas por sarar: em París, Nova Iorque, Washington, Londres, em Espanha e na Palestina. E os alvos do ISIS eram “os mesmos que nos combateram no Afeganistão, no Cáucaso, em Gaza, em Levante, no Iraque, na Somália e no Iémen”.

Agora que entramos em 2019...

...é bom ter presente o importante que este ano pode ser. E quando vivemos tempos novos e confusos sentimos mais a importância de uma informação que marca a diferença – uma diferença que o Observador tem vindo a fazer há quase cinco anos. Maio de 2014 foi ainda ontem, mas já parece imenso tempo, como todos os dias nos fazem sentir todos os que já são parte da nossa imensa comunidade de leitores. Não fazemos jornalismo para sermos apenas mais um órgão de informação. Não valeria a pena. Fazemos para informar com sentido crítico, relatar mas também explicar, ser útil mas também ser incómodo, ser os primeiros a noticiar mas sobretudo ser os mais exigentes a escrutinar todos os poderes, sem excepção e sem medo. Este jornalismo só é sustentável se contarmos com o apoio dos nossos leitores, pois tem um preço, que é também o preço da liberdade – a sua liberdade de se informar de forma plural e de poder pensar pela sua cabeça.

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