Web Summit

Disney ou Facebook na mira dos portugueses. O que procuram em Dublin?

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Portugueses presentes na Web Summit, em Dublin, vieram mostrar projetos que vão do turismo aos avatares, às redes sociais e ao jornalismo. Cuckuu e B-Guest não passaram às meias-finais do Beta Award.

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A resposta pode parecer previsível – dinheiro -, mas vai além dos euros que são o motor de arranque para qualquer conversa com investidores. Na Web Summit, em Dublin, os portugueses querem sobretudo dar a conhecer-se: expor o seu projeto, apresentá-lo, criar futuras parcerias com startups europeias ou captar a atenção dos gigantes presentes no evento, como o Facebook ou a Disney. São 33 os projetos que entre 3 e 5 de novembro trazem o português à Irlanda.

A B-Guest e a Cuckuu estavam selecionadas para o concurso de pitch (apresentação breve do projeto) do Beta Award, a competição principal da Web Summit, mas depois de terem apresentado o seu projeto souberam, na terça-feira à noite, que não passaram às meias-finais.

Cuckuu e B-Guest e as parcerias além-fronteiras

João Jesus, do Cuckuu, adianta que o que move a rede social para alarmes é a possibilidade de fazer contactos e estabelecer parcerias. Entrar no mercado norte-americano com uma parceria com marcas globais como a Disney ou a Virgin faz parte dos objetivos do líder do Cuckuu.

Depois das parcerias também queremos atrair investimento para podermos abrir ao mercado norte-americano, por exemplo”, referiu João Jesus.

No final do primeiro dia do evento, João Jesus já tinha reunido com dois investidores: um indiano e outro finlandês. Com parcerias com youtubers e bloggers na mira, o Cuckuu quer ser mais uma rede social que permita seguir marcas e celebridades.

A B-Guest, plataforma móvel que liga hotéis a hóspedes durante as suas estadias, que funciona como uma ferramenta de marketing e permite disponibilizar informação detalhada aos hóspedes, veio à procura, sobretudo, de exposição e parcerias. “Não estamos ativamente à procura de investimento nesta fase”, disse João Vieira Marques, fundador da B-Guest.

Pic Square: uma fotografia ou um avatar?

Verónica Orvalho tem 35 anos e está na Web Summit para dar a conhecer a Pic Square, a startup que fundou no verão de 2015, mas cuja tecnologia está a ser desenvolvida há oito anos na Universidade do Porto, onde é investigadora. Aos 35 anos, confessa-se uma fã de videojogos e não hesita: foi esse o ponto de partida para lançar o projeto que quer criar avatares em três dimensões a partir de uma simples fotografia. Já se imaginou?

Vim à procura de clientes. Quero construir uma rede com ‘players’ importantes como o Facebook ou o Skype, para que possam incorporar esta característica nas suas plataformas. Imagine ter um avatar seu no Facebook”, explica ao Observador Verónica Orvalho.

A pergunta que levou ao nascimento da Pic Square foi simples: “Como é que eu posso democratizar a criação de avatares?” A pergunta já lhe valeu 1,3 milhões de euros em investimento, captado através de fundos internacionais. É por isso que foi selecionada para a categoria Beta (startups com mais de um milhão de euros investidos). “Queremos criar uma fábrica de avatares a partir de fotografias”, explica. 

Flykt e os destinos surpresa

Férias marcadas para dezembro, cinco dias de descanso e apetite por sair do país, com um orçamento de baixo custo. Para onde ir? Foi para responder a esta questão que três jovens do Porto desenvolveram a Flykt, um motor de busca de viagens onde o utilizador insere datas, orçamento e interesses e recebe uma proposta de destino que coincida com a sua vontade.

Pedro Almeida é investigador na Universidade do Porto, vem da área das neurociências, e é amigo de Ricardo Camarinha. Foi o Ricardo que lançou a ideia que já conta com investimento de dois business angels (investidores particulares).

Estamos à procura de exposição e parcerias que sejam interessantes para o nosso produto, porque queremos levá-lo para o máximo de áreas possível. Também viemos reunir com investidores portugueses e de Silicon Valley”, explicou ao Observador.

Na mira estão sobretudo empresas do Reino Unido. “São pessoas que viajam muito e que compram online. Como o nosso conceito não existe em mais lado nenhum, se alguma empresa quiser adquirir o nosso modelo, então é porque é bom”, afirmou.

begin.media e a revolução dos media

Marta Velho está em Dublin com um projeto recém-lançado, o begin.media, que “promete revolucionar o mundo dos media” e impulsionar a carreira dos mais jovens. Na plataforma, os autores dos textos vão poder escrever e contar com o apoio de jornalistas mais experientes, mas apenas uma parte do seu trabalho será exposto gratuitamente.

Para que os leitores possam aceder ao artigo completo, as pessoas devem contribuir para a carreira do autor, com o valor que preferirem. Este montante servirá para contribuir para uma das partes do trabalho, seja a escrita, o contacto com as fontes ou as deslocações. São os leitores que decidem.

Tudo o que pudermos levar daqui de know-how, mentores, partilha de conhecimento, vamos levar para Lisboa. Mas o que queríamos mesmo era conseguir investimento, porque estamos a crescer muito e já não estamos a conseguir dar reposta. Temos cerca de 400 pessoas inscritas na plataforma”, explicou Marta.

Ao Observador, Marta Velho contou que o projeto ainda está numa fase muito embrionária e que não estavam sequer a contar ser uma das 12 startups portuguesas selecionadas para a categoria Alpha.

Esta quarta-feira, a begin.media vai lançar uma campanha de crowdfunding (financiamento coletivo) na Indiegogo, para conseguirem 7.500 euros que lhes permita desenvolver a plataforma, que foi lançada a 26 de outubro em versão beta.

Além destas, também fazem parte da categoria Alpha empresas como a DISPLR, SPEAK, Qaalog, Codacy, loqr, comOn Labs, Facestore, VEEDEEO, School Embassy, Inovamatic, entre outros.

Texto de Ana Pimentel (Dublin, Irlanda).
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