Dois homens foram nesta sexta-feira declarados culpados por um tribunal de Joanesburgo pelo homicídio do moçambicano Emmanuel Sithole, durante a vaga de violência xenófoba em abril na África do Sul. Segundo o canal televisivo SABC, um terceiro acusado pelo homicídio, um menor de 17 anos, foi apenas condenado por roubo e agressão.

O caso respeita à última vaga de violência na África do Sul contra estrangeiros africanos, que atingiu sobretudo as cidades de Durban e Joanesburgo. A 18 de abril, Emmanuel Sithole foi esfaqueado em Alexandra, onde vendia cigarros, num crime documentado pelo fotógrafo James Oatway, do sul-africano Sunday Times.

O juiz considerou ter ficado provado que Mthinto Bengu e Sifundo Mzimela tiveram a intenção de matar Sithole quando o atacaram e que o terceiro acusado não esteve diretamente envolvido no homicídio. O canal SABC descreve que, durante a leitura da condenação, Bengu e Mzimela mostravam-se sorridentes e sem qualquer sinal de remorso. A leitura da sentença ficou marcada para 04 de dezembro.

Para fugir dos altos índices de pobreza em Moçambique, a população, principalmente a mais jovem das zonas rurais do sul do país, emigra ilegalmente para África do sul, à procura de melhores condições de vida numa das economias mais avançadas do continente.

A última vaga de violência provocou a morte a pelo menos três moçambicanos, incluindo Sithole, e a fuga de milhares para o seu país. Em maio, o Presidente sul-africano, Jacob Zuma, pediu desculpa ao homólogo moçambicano, Filipe Nyusi, pela crise de violência xenófoba na África do Sul, durante um encontro em Maputo entre delegações de alto nível dos dois países.

“É importante para nós apresentar desculpas em nome da minoria que se comportou mal”, declarou Jacob Zuma, antigo exilado em Moçambique no período do “apartheid” e que antes identificara a imigração ilegal como causa da violência xenófoba no seu país.

O Presidente sul-africano falava logo após a detenção e ordem de deportação de quase mil moçambicanos que se encontravam em situação ilegal no país vizinho, numa operação que apanhou a diplomacia de Maputo de surpresa.

A África do Sul é um importante parceiro comercial de Moçambique e o maior importador da energia da Hidroelétrica de Cahora Bassa (HCB) e acolhe a maior comunidade de moçambicanos na diáspora, dos quais parte significativa trabalha nas minas e em campos agrícolas.

Desde a crise xenófoba, o Presidente sul-africano inaugurou em setembro, com o seu homólogo Filipe Nyusi, um monumento aos membros do ANC vítimas de um ataque em 1981 do regime do “apartheid” nos arredores da capital moçambicana. No mês seguinte, Nyusi realizou, por sua vez, uma visita de Estado à África do Sul.