Em Bruxelas, apenas as famílias políticas europeias reagiram nesta terça-feira publicamente à queda do Governo PSD/CDS-PP em Portugal, com as instituições da União Europeia a escusarem-se a comentar “desenvolvimentos políticos internos”.

Na sequência da aprovação da moção de rejeição ao Programa de Governo apresentada pelo PS na Assembleia da República, que significou a queda do executivo liderado por Pedro Passos Coelho, apenas as duas grandes famílias políticas europeias, Partido Popular Europeu (PPE) e Partido Socialista Europeu (PSE), reagiram, enquanto a Comissão Europeia se escusou a comentar “processos nacionais relativos a governos nacionais”.

Contactados pela Lusa, também os presidentes do Conselho Europeu, do Parlamento Europeu e do Eurogrupo não fizeram comentários à queda do Governo com o qual trabalharam nos últimos quatro anos.

Pelo lado das famílias políticas europeias, o PSE, no qual está integrado o PS, congratulou-se com “o acordo histórico” entre os partidos políticos portugueses de esquerda e exortou o Presidente da República a dar um mandato ao partido liderado por António Costa para formar Governo.

Os Socialistas Europeus apontam que, nas eleições legislativas de 4 de outubro passado, “uma vasta maioria dos portugueses deram uma vantagem decisiva aos partidos de esquerda, mas o Presidente português, Cavaco Silva, preferiu dar à coligação conservadora minoritária o direito de formar Governo”, tendo o seu programa sido hoje “obviamente rejeitado” no parlamento.

“Após quatro anos de austeridade, é agora altura de dar uma hipótese a um governo progressista. Instamos Cavaco Silva a ouvir a voz do povo e a dar um mandato ao Partido Socialista — apoiado pelos partidos de esquerda — para formar um Governo que possa dar estabilidade e crescimento a Portugal”, conclui o comunicado divulgado hoje ao início da noite pelo PSE.

Já o presidente do PPE, a maior família europeia, à qual pertencem PSD e CDS-PP, lamentou a queda da coligação “vencedora das eleições” legislativas de outubro passado, e considerou que “a coligação de esquerda não é uma alternativa responsável” e “suscita preocupações”.

“A coligação de esquerda, que inclui partidos anti-UE e anti-NATO, não é uma alternativa responsável. Não oferece um programa para um crescimento económico sustentável”, é “uma miragem” e “está a fazer promessas falsas ao povo português”, considerou Josep Daul, numa nota divulgada em Bruxelas pelo PPE. “A sustentabilidade de uma aliança com objetivos tão contraditórios suscita preocupações”, acrescentou.

A moção de rejeição do PS ao Programa de Governo foi hoje aprovada na Assembleia da República com 123 votos favoráveis de socialistas, BE, PCP, PEV e PAN, o que implica a demissão do executivo PSD/CDS-PP.