Liu Yiqian é um multimilionário chinês que confirmou, esta terça-feira, ter comprado a pintura de Amedeo Modigliani “Nu Reclinado” por 170,4 milhões de dólares (cerca de 159 milhões de euros) na leiloeira Christie, em Nova Iorque, tornando esta a segunda venda mais cara de sempre em leilão. Por isso, a curiosidade sobre quem é este homem tem aumentado. E a verdade é que não é a primeira vez que Liu gasta milhões em leilões deste género.

O antigo motorista de táxi começou a ganhar fama no mundo da arte por bater recordes em compras de obras para colocar nos seus próprios museus em Xangai.

Mas esta compra que impressionou o mundo e que estabeleceu novos recordes, como conta o Telegraph, vem na sequência de uma outra compra de um tapete imperial bordado do Tibete com 600 anos de antiguidade. Para adquirir esta peça foi preciso desembolsar 45 milhões de dólares (cerca de 42 milhões de euros), dessa vez num leilão da Christie em Hong Kong, no passado mês de novembro.

Mas há mais. Os milhões de Liu Yiqian permitiram também a compra de uma pequena chávena de porcelana. Este investimento chocou muitos na China. Não pelo (muito) dinheiro gasto, nem pelo facto de o chinês ter pago descontraidamente com um cartão da American Express, como quem paga uma conta de restaurante.

chávena de porcelana dinastia Ming

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É que, em primeiro lugar, esta pequena xícara de porcelana, com um galo pintado na superfície, pertence a um serviço da dinastia Ming e é considerada por muitos especialistas na matéria como o “Santo Graal” da porcelana chinesa. Para levá-la para casa foi preciso gastar 36 milhões de dólares (cerca de 33 milhões de euros). Mas o que impressionou mesmo foi quando Liu decidiu celebrar ao beber um pouco de chá pela chávena. Bem se sabe que a peça, nos seus tempos, terá servido para esse efeito. Mas os admiradores da arte de porcelana ficaram de boca aberta com este ato. Liu disse apenas que queria ter a mesma sensação que, no seu tempo, terá tido o imperador chinês que a utilizou.

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Liu chocou a China ao tomar um pouco de chá de uma chávena de porcelana da dinastia Ming que custou 33 milhões de euros. SOTHEBYS

Por tudo isto a história de Liu Yiqian tornou-o num ídolo para muitos na China. Teve um início de vida complicado, onde foi motorista de táxi para ganhar o sustento depois de ter abandonado a escola. Foi mais tarde que se tornou multimilionário ao apostar de forma certeira na bolsa, acumulando uma fortuna que faz dele um homem imensamente rico, mas ainda longe dos mais ricos da China, de acordo com a lista da Forbes, onde surge apenas no lugar 239.

Essa enorme fortuna permite-lhe perseguir o sonho de criar um Guggenheim no seu país natal. Para isso não olha a custos, já abriu dois museus em Xangai e tem gasto o que for preciso para os rechear e concretizar a ambição.

Mas há um obstáculo para este e outros milionários chineses que têm, na sua maioria, perseguido obras de arte da mais alta qualidade pelo mundo fora: o Partido Comunista Chinês. Os líderes do partido têm protagonizado uma campanha contra o excesso de ostentação.

No entanto a compra deste tipo de peças, gastando milhões, tem sido uma prática cada vez mais comum entre os milionários do país.