Quando já tínhamos arranjado a desculpa ideal para nos levantarmos de meia em meia hora sob o pretexto de que estamos a zelar pela nossa saúde, eis que surge um novo estudo a dizer que afinal estar sentado não é mau e que percebemos tudo ao contrário.

Investigadores da University of Exeter e da University College London vieram em defesa do ato de estar sentado, alegando que sentar-se, por si só, não faz mal. O que faz mal é não fazer exercício. E há uma grande diferença entre ambos.

Segundo a Fusion, Melvyn Hillsdon, professor de desporto e ciências da saúde da Universidade de Exeter, considera que “o estudo indica que o problema está na ausência de movimento e não no tempo que a pessoa passa sentada”, acrescentando que “qualquer posição estacionária onde há pouco gasto de energia pode ser prejudicial para a saúde, seja estar sentado ou em pé”.

O estudo, publicado no International Journal of Epidemiology, seguiu 5.132 participantes (3.720 homens e 1.412 mulheres) ao longo de 16 anos para perceber de que forma passar muito tempo sentado afeta a mortalidade.

Em 1997, os participantes estavam todos a trabalhar e a viver em Londres, e todos os seus dados foram recolhidos por um estudo ainda maior, conhecido como The Whitehall II. Cada um tinha de dizer qual o número médio de horas que passava sentado no trabalho por semana — incluindo o tempo em que estava a conduzir ou nos transportes — e o tempo que passava em casa a ver televisão ou a cozinhar, por exemplo.

Os investigadores também rastrearam as variantes sociodemográficas dos participantes, como a idade, o género, a etnia e o trabalho, assim como variantes relacionadas com a saúde — se eram fumadores ou não, se consumiam álcool, qual a sua dieta alimentar e índice de massa corporal. A atividade física diária, desde caminhar a fazer jardinagem ou desporto, também foi considerada.

Embora 450 participantes tenham falecido no decorrer do estudo, os investigadores concluíram que o tempo que passavam sentados não contribuiu para o aumento do risco de mortalidade, conclusão essa que vai contra os vários alertas segundo os quais estar sentado durante um período muito longo é prejudicial. Um exemplo: o serviço de saúde britânico (NHS) diz que “permanecer sentado por longos períodos de tempo é mau para a saúde, independentemente da quantidade de exercício que a pessoa faça”. Uma afirmação contestada pelos autores deste novo estudo:

“As nossas descobertas sugerem que diminuir o tempo em que se está sentado pode não ser importante para o risco de mortalidade como dito anteriormente e que encorajar as pessoas a serem mais ativas deveria continuar a ser uma prioridade na saúde pública”, disse o autor do estudo, Richard Puls-ford, num comunicado de imprensa.

O professor de desporto Melvyn Hillsdon acrescenta que “quem faz as políticas [de saúde] devia ser mais cauteloso quando aconselha a não passar muito tempo sentado mas não promove um aumento da atividade física”.

Ou seja, a cadeira ou o sofá podem não ser os maus da fita por si só, o que importa é o que faz quando não está lá sentado.