Os cirurgiões da Cleveland Clinic, situada no estado de Ohio (EUA), estão a preparar-se para começar a fazer transplantes de útero, uma cirurgia que ainda nunca foi feita no país. A operação é destinada às mulheres que nasceram sem útero, que têm um útero danificado ou que já tiveram de o remover, noticia o jornal The New York Times, que estima em pelo menos 50 mil o número a quem o transplante pode beneficiar. 

A cirurgia pode ser mais uma solução para combater a infertilidade, mas também tem riscos, que derivam quer da própria cirurgia quer da ingestão dos medicamentos anti-rejeição (que tentam evitar que o corpo rejeite o novo órgão). E ainda há o risco de a gravidez correr mal, já que os fetos estarão expostos a estes medicamentos e desenvolver-se-ão dentro de um útero retirado a uma mulher morta. A escolha de retirar úteros de pessoas já falecidas deve-se ao risco que a cirurgia poderia ter para os dadores vivos nesta fase embrionária do processo.

Neste momento decorrem os primeiros processos de rastreio a oito mulheres norte-americanas. Neste rastreio, os médicos avaliam as candidatas à cirurgia, que têm de reunir várias condições: estarem numa relação amorosa estável (já que precisarão de apoio e de ajuda), terem ovários e não estarem a ser pressionadas por outros para fazer a cirurgia. Tudo isto porque, neste processo, os pacientes com um maior rede de apoio social tendem a alcançar melhores resultados.

Até hoje, a Suécia é o único país do mundo onde transplantes de útero já foram bem-sucedidos. Todas as cirurgias foram feitas na universidade de Gotemburgo, com os úteros a serem doados por mulheres vivas. Ao todo, a cirurgia já foi feita com nove mulheres: das nove, quatro conseguiram engravidar e dar à luz bebés prematuros mas saudáveis. Dois transplantes não resultaram e os úteros tiveram de ser removidos, um devido a um coágulo sanguíneo e o outro devido a uma infeção. De qualquer forma, a universidade sueca conseguiu demonstrar que um útero de uma mulher que já chegou à menopausa pode, ainda assim, permitir o desenvolvimento de uma gravidez.