São muitos os protestos contra situações de racismo que, por estes dias, marcam a atualidade em diferentes universidades norte-americanas. O caso mais recente aconteceu na Universidade do Missouri, quando longas manifestações de estudantes, funcionários e professores levaram à demissão do presidente e do chanceler da instituição académica. A saída de Timothy Wolfe e R. Bowen Loftin, respetivamente, aconteceu no início desta semana.

Os protestos que duraram semanas surgem na sequência de relatos de casos de racismo que ocorreram dentro do recinto da faculdade. Um exemplo disso é o que se passou com o presidente da Associação de Estudantes do Missouri, Payton Head, que, sendo negro, foi alvo de ofensas. Outro incidente mais dramático remete para a suástica feita a partir de fezes na parede de um dormitório, segundo conta o Globo. Os estudantes queixavam-se, então, da passividade de Timothy Wolfe perante estes factos.

COLUMBIA, MO - NOVEMBER 9: Members of the Concerned Student 1950 movement speak to the crowd of students on the campus of University of Missouri - Columbia on November 9, 2015 in Columbia, Missouri. Students celebrate the resignation of University of Missouri System President Tim Wolfe amid allegations of racism. (Photo by Michael B. Thomas/Getty Images)

Protestos na Universidade do Missouri / Michael B. Thomas/Getty Images

Uma greve de fome e uma petição com mais de 7 mil assinaturas contribuíram para que Wolfe apresentasse a demissão, no entanto, terá tido mais impacto o facto da equipa de futebol da universidade anunciar que ia boicotar os próximos jogos caso o presidente não deixasse o respetivo cargo — tal implicaria a perda de uma quantia substancial de dinheiro. De referir que o campus da universidade fica perto de Ferguson, onde há um ano um jovem negro foi alvejado mortalmente por um polícia.

A saída de Timothy Wolfe despertou, então, a atenção de figuras de maior relevância, tal como o porta-voz da Casa Branca, Josh Earnest, que elogiou a atitude dos manifestantes. O certo é que o debate sobre o racismo está outra vez na ordem do dia e já foi bater às portas da prestigiada universidade de Yale, onde dois incidentes recentes estiveram na origem de um confronto entre alunos e direção, acusada de fechar os olhos aos alegados casos de racismo. A situação fez, entre outras reações, com que uma carta aberta fosse redigida e publicada no Huffington Post.

A reportagem do Globo faz ainda referência a episódios recentes que resultam de ações de protesto contra o racismo, tal como a invasão do escritório do chanceler da UCLA (Universidade da Califórnia, em Los Angeles) por um grupo de estudantes. Esta sexta-feira também é notícia os protestos que decorreram no Ithaca College por motivos semelhantes.