Vanessa Fernandes alcançou os mínimos para os Jogos Olímpicos do Rio 2016 na sua estreia na maratona, em Valência, onde partiu sem objetivos definidos, a não ser tornar-se maratonista. “Foi uma grande vitória, nunca pensei que ia dizer que tinha feito uma maratona, porque achava que era uma prova tão dura de se fazer, por isso, quando terminei tive uma alegria enorme, mas por ter feito 42,195 quilómetros”, afirmou à agência Lusa a medalha de prata no triatlo em Pequim2008.

Vanessa Fernandes concluiu a maratona de Valência no sétimo lugar, em 02:31.26 horas, mínimo para os Jogos Olímpicos Rio2016, um registo que pode não ser suficiente para a atleta do Benfica, uma vez que já há três atletas lusas com melhores registos, casos de Sara Moreira, Dulce Félix e Filomena Costa, enquanto Jéssica Augusto poderá consegui-lo na próxima primavera.

“Não vim com nenhuma marca como objetivo, foi uma experiência, trabalhei para abordar uma maratona, mas sem pensar muito no tempo que ia fazer. Acreditava muito nas minhas capacidades, mas vinha à descoberta”, explicou a atleta natural de Perosinho, do concelho de Vila Nova de Gaia.

Apesar das múltiplas conquistas no triatlo, modalidade em que se sagrou campeã europeia e mundial, Vanessa Fernandes considera incomparável o esforço despendido nos 42,195 quilómetros de uma maratona.

“O registo é bom, dá mínimos para os Jogos Olímpicos, mas foi um bocado inesperado para uma estreia, porque a experiência que tenho de 2:30 horas de esforço é do triatlo e neste caso é completamente diferente”, referiu.

Vanessa Fernandes justificou a presença na maratona valenciana com a vontade de se superar. “Na semana passada estive a observar a maratona do Porto e além dos elites, cuja prova é espetacular de ver, foi muito emocionante ver a capacidade de sacrifício e superação dos populares que terminavam a prova. Isso foi muito bom e, mesmo sendo atleta, fui um bocado com essa mentalidade de me superar e adorei”, explicou.

Mesmo com esse pensamento, a atleta do Benfica reconhece ter tido dificuldades ao longo da corrida: “Sofri, sofri, porque há momentos em que passamos mal, mas a vontade de superação e desafiar os nossos limites fazem valer a pena. Foi um sofrimento bom e espero ter nova oportunidade para o sentir novamente, mas agora com a noção do que é correr esta distância”.

“Mas não foi no meu limite, não digo que garantidamente faça melhor, mas sei que não trabalhei especificamente para conseguir uma marca. Queria ver o que era capaz, mas acho que posso melhorar”, rematou.