"Isto não é um Presidente, é um gangster", diz deputado do PS

Cavaco continua a recordar as crises de 1987 e 2011 e a (aparentemente) desvalorizar os efeitos de manter um governo em gestão até 2016. Deputado socialista acusa PR de ser "um gangster".

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ANDRÉ KOSTERS/LUSA

ANDRÉ KOSTERS/LUSA

Primeiro, Cavaco Silva recordou que em 1987 esteve cinco meses em gestão e aconselhou os jornalistas a olharem para as crises políticas anteriores, em 1987 e 2011. Esta terça-feira, o Presidente da República voltou a comparar a atual crise política com a situação vivida em 2011 e sublinhou que as condições são hoje “muito mais favoráveis”, existindo “uma almofada financeira de dimensão substancial”. No Twitter, o deputado socialista Tiago Barbosa Ribeiro não poupou Cavaco Silva: “Isto não é um Presidente, é um gangster”.

Em causa estão as declarações de Cavaco Silva durante a viagem oficial à Madeira. Aos jornalistas, o Presidente República classificou a dimensão da almofada financeira que havia em 2011 como “exígua” e “assustadora” e revelou que recebeu telefonemas de líderes internacionais “assustadíssimos” com a situação portuguesa. “Eu nem quero vos dizer qual era o montante que tesouro português tinha em cofre em 2011”, reforçou o Chefe do Estado.

As palavras de Cavaco Silva surgem numa altura em que o próprio primeiro-ministro já está convencido de que haverá um novo Governo dentro de duas semanas. Esta convicção foi transmitida numa conversa com o antigo presidente do Conselho Europeu, Herman van Rompuy, que foi recebido esta segunda-feira em S. Bento – uma conversa captada pelas câmaras da TVI.

No entanto, as declarações do Presidente da República, que tem insistindo em comparar as crises de 1987 e 2011 à atual, parecem alimentar a tese de que Cavaco, no limite, não excluiu a hipótese de manter Passos em gestão. E nem os avisos sobre os eventuais riscos económicos de tal situação parecem abalar o Presidente da República. “Felizmente esta crise política ocorre em situações que são muito mais favoráveis do que aquelas que se verificavam na última que tinha ocorrido, que foi em 2011”, repetiu esta terça-feira Cavaco Silva.

A posição do Presidente da República já motivou reações de outros socialistas. Na segunda-feira, Isabel Moreira escreveu uma carta aberta a Cavaco Silva, onde lembrava o Chefe de Estado que as duas situações são “incomparáveis”. “É que o seu governo foi alvo de uma moção de censura por parte do PRD sem alternativa de governo maioritário parlamentar, pelo que Mário Soares dissolveu a Assembleia da República e tivemos eleições antecipadas. Recordado?”, explicava a socialista.

Isabel Moreira pedia ainda a Cavaco para cumprir “a única solução constitucional admissível nas atuais circunstâncias”, sustentando que é de “elementar grandeza cumprir a lei mesmo que desse cumprimento resulte o que pessoalmente não nos agrade”.

Carta aberta a Sua Excelência o Presidente da República :Diz vossa excelência que já esteve em gestão por uns meses....

Publicado por Isabel Moreira em Segunda-feira, 16 de Novembro de 2015

Também na segunda-feira, António Costa, em entrevista à RTP 1, defendeu que o “pior que podia acontecer era um Governo de gestão”. “Aquilo que o PR explicitou durante vários meses era que era preciso condições de estabilidade e que era preciso encontrar um suporte maioritário na Assembleia da República e essas condições estão hoje reunidas”, afirmou o líder socialista.

Esta terça-feira, Cavaco Silva foi recebido com palavras e ordem, apupos e insultos por cerca de cinco dezenas de manifestantes, no Funchal, junto à Assembleia Legislativa da Madeira, última etapa da visita de dois dias à região.

“Cavaco, escuta, o povo está na luta” gritaram os manifestantes, entre assobios e palavrões, assim que o chefe de Estado chegou ao edifício, à volta do qual fora montada grande uma barreira policial, que mobilizou dezenas de agentes.

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