Qual o preço a pagar pelo terror? Um relatório publicado pelo Institute for Economics and Peace (IEP), refere que, em 2014, o terrorismo custou quase 50 mil milhões de euros em termos globais. Em 2001, no pós-11 de setembro, o valor das perdas foi de cerca de 48 mil milhões de euros.

Os cálculos levam em consideração as mortes provocadas pelos ataques terroristas e a perda de valor associada a esses falecimentos, tais como os danos patrimoniais e os custos dos cuidados médicos, entre outros. Os valores são aferidos com base nos dados do Índice de Terrorismo Global (Global Terrorism Index, GTI) que classifica 162 países do mundo, em função da atividade terrorista, identificando quais os países do mundo onde os terroristas mais atacam. Iraque, Afeganistão, Nigéria, Paquistão e Síria contabilizaram 78% das fatalidades causadas por ataques terroristas, em 2014. Deste conjunto, a Nigéria foi o país onde se registou a maior intensificação da atividade terrorista: as mortes aumentaram mais de 300%, para 7.512 óbitos.

Os cinco países do mundo onde se registaram mais ataques terroristas em 2014

O Iraque registou, em 2014, o maior número de ataques terroristas e o mais elevado número de mortes.

PAÍS N.º ATAQUES TERRORISTAS N.º MORTOS
1. Iraque 3.370 9.929
2. Afeganistão 1.591 4.505
3. Nigéria 662 7.512
4. Paquistão 1.821 1.760
5. Síria 232 1.698
Fonte: Global Terrorism Index Report, 2015 – Institute for Economics and Peace (IEP)

Em 2014, o terrorismo causou 32.658 mortes em todo o mundo, mais 80% do que em 2013. O Boko Haram e o Estado Islâmico são os dois principais culpados por esta subida no número de vítimas. O Estado Islâmico, que reivindicou os ataques de Paris, Beirute e a queda do avião da Metrojet no Egito, já ultrapassou os Talibãs do Afeganistão em número total de mortes causadas – que ascendem a 20 mil mortes – seis mil das quais devidas a ataques terroristas e as restantes nas frentes de batalha, onde tentam conquistar territórios para o califado.

A maioria das mortes por ataques terroristas não ocorrem no Ocidente. Excluindo 11 de setembro de 2001, apenas 0,5% de todas as mortes causadas pelo terrorismo ocorreram em países ocidentais nos últimos 15 anos,” pode ler-se no relatório. Segundo o Independent, o número de mortes relacionadas com atos terroristas subiu desde a invasão do Iraque pelos Estados Unidos da América, em 2003.

Outro facto relevante do relatório é a prevalência de ataques terroristas de tipo “lobo solitário“, que no Ocidente são responsáveis por 70% de todas as mortes causadas por ataques terroristas desde 2006. Neste tipo de ataques, o fundamentalismo islâmico não foi a principal motivação: 80% das mortes levadas a cabo por “lobos solitários” foram atribuídas a uma mistura de extremistas de direita, nacionalistas, elementos anti-governo e a outros tipos de extremismo político, refere o IEP. 

Segundo o IEP  — um think tank baseado em Sydney, na Austrália, e presidido por Steve Killelea — 2014 foi o ano em terrorismo mais custou ao mundo, ultrapassando os custos globais registados no rescaldo do 11 de setembro. Os números apurados pelo IEP ainda não incluem aqueles que resultarem dos ataques a Paris ocorridos a 13 de novembro de 2015, que serão contabilizados apenas no próximo ano.

Na contabilidade geral, o IEP estimou que o impacto da violência do mundo sobre a economia global em 2014 foi equivalente 13,4% do produto interno bruto mundial. O valor é equivalente à soma da produção anual das economias do Brasil, Canadá, França, Alemanha, Espanha e Reino Unido.