O Presidente da República chamou para reuniões esta sexta-feira os partidos políticos com representação parlamentar, dando início às audições obrigatórias para a decisão formal sobre o próximo Governo, avança a TVI.

Depois de ter recebido os patrões e sindicatos na semana passada, os banqueiros esta quarta-feira e um grupo de economistas amanhã, quinta-feira, o Presidente fecha assim a ronda de audições extra que decidiu fazer antes de decidir se indigita António Costa como primeiro-ministro.

A ordem das audições só deve ser conhecida amanhã – pelo que só aí se saberá se todas as audições serão num dia ou se vão estender-se por mais tempo.

Costa, Belém, Nóvoa e Marisa pressionam

Ontem, depois de Cavaco Silva ter voltado a desdramatizar a crise política, lembrando as diferenças face à situação que o país vivia em 2011, António Costa subiu o tom da pressão: num discurso para militantes do PS, pediu a Cavaco sobre o porquê deste tempo de decisão, se “já todos disseram que PS, Bloco de Esquerda, PCP e PEV asseguram a um governo do PS condições de governabilidade”. Por isso, disse Costa, não há razões para adiar mais aquilo que resulta claramente da Constituição, que é dar posse a um governo que tem suporte maioritário na Assembleia da República”.

O mesmo fez Maria de Belém, candidata à Presidência: “Quando exista uma maioria absoluta de apoio parlamentar a um governo cabe ao Presidente aferir da sua sustentação constitucional e proceder à consequente designação, sem mais delongas”.

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E também Marisa Matias, a candidata do Bloco: “É cada vez mais difícil compreender a perda de tempo a que o Presidente da República está a submeter o país, através de visitas que nada têm de urgente, audições que não precisou de fazer para indigitar Passos Coelho, ou mesmo declarações absolutamente incendiárias como a comparação absurda que fez a respeito da sua experiência com governos de gestão, dando a entender que essa situação não traria nenhum problema ao país”.

E ainda Sampaio da Nóvoa: “Tenho às vezes dificuldade em compreender tanta elaboração, tanta controvérsia em torno disso quando me parece ser absolutamente simples havendo um acordo de maioria parlamentar, seja ele qual for, é dar posse a esse governo e depois deixar decorrer o normal curso da vida política portuguesa”.

Direita rema contra a maré

Em sentido contrário, Passos Coelho e Paulo Portas ouviram na terça-feira um conjunto de constitucionalistas – muitos deles próximos do Presidente -, no sentido de avaliar a nova situação política. Do encontro resultou, como noticiou já o Observador, uma ampla rejeição da norma que impede a dissolução do Parlamento nos seis meses seguintes às eleições legislativas, uma “preocupação com a erosão do regime-presidencialista” e a “necessidade de recentrar o discurso”, perante a mensagem que os partidos de esquerda estão a passar de que o Presidente não tem outra alternativa que não dar posse ao que os deputados votam na Assembleia.

“Não se pode desvalorizar as mudanças que estão a ocorrer”, afirmou ao Observador um dos presentes na reunião. Outra preocupação que foi partilhada, na reunião que durou quatro anos, foi a de que dar posse a Costa será “arriscado” pois isso seria caucionar o PS como o único partido a assumir-se como indispensável para a governação pois quer fazê-lo em geometria variável, aprovando leis à esquerda mas outras à direita. O texto sobre essa reunião pode ser lido aqui.