A data nunca antes foi assinalada na Assembleia da República, mas desta vez os partidos da direita não querem deixar escapar. PSD e CDS propuseram esta quarta-feira em conferência de líderes que fosse organizado um evento – “uma conferência ou sessão” – no quadro parlamentar para assinalar os 40 anos do 25 de novembro, dia em que, há 40 anos, se pôs fim ao PREC (Processo Revolucionário em Curso). A proposta foi feita ao Presidente da Assembleia da República que ordenou a criação de um grupo de trabalho, com representantes de todos os partidos, para decidir se o evento se realiza ou não, e em que moldes.

“Após meses de incerteza e radicalismo, o 25 de novembro trouxe o fim dos extremismos, dos confrontos violentos e da ameaça sobre as instituições. Os eventos desse dia, e dos que se seguiram, consolidaram a liberdade de abril, no caminho para um país europeu e democrático”, lê-se na carta entregue pelos grupos parlamentares do PSD e CDS a Ferro Rodrigues.

Falta precisamente uma semana para a data, mas aos jornalistas o líder parlamentar do CDS, Nuno Magalhães, relativizou a questão defendendo que “há tempo suficiente” para preparar a cerimónia. A ideia do centrista é que possa haver uma evocação àquele “momento histórico” na sessão plenária da próxima quarta-feira, antes de se iniciarem os normais trabalhos parlamentares. Tudo para que, completou o vice-presidente da bancada social-democrata Hugo Soares, a “Assembleia da República possa dar à data a dignidade que ela merece”.

E porquê só celebrar os 40 anos quando as restantes datas redondas, os 10, 20 ou 30 anos do 25 de novembro, nunca foram assinaladas formalmente pela Assembleia da República? De acordo com Hugo Soares porque “em circunstâncias normais a Assembleia costuma estar parada em novembro a discutir o Orçamento do Estado”. Desta vez, sem Governo, sem Orçamento, e com um Parlamento profundamente polarizado entre a esquerda e a direita, o simbolismo do 25 de novembro ganha outra dimensão.

Para decidir sobre o assunto foi criado um grupo de trabalho, presidido pelo socialista Jorge Lacão na qualidade de vice-presidente da Assembleia, que deverá apresentar as suas conclusões até ao final desta semana. Os representantes de cada partido reúnem-se amanhã para concertar posições.