As economias mais afetadas pela crise na zona euro, entre as quais Portugal, precisam de maior moderação salarial no médio prazo se querem aumentar a criação de emprego e evitar o crescimento do défice orçamental, defende o Fundo Monetário Internacional, mas se o fizerem em simultâneo podem afetar o crescimento na zona euro.

Foi um tema quente em Portugal durante o resgate, especialmente na parte inicial em que o FMI defendeu aguerridamente a medida, mas acabou por cair a medida, mas não ficou esquecida. Em mais um estudo sobre o tema, o FMI volta a defender as vantagens de uma desvalorização fiscal nos países mais afetados pela crise na zona euro – Portugal, Grécia, Irlanda, Espanha e Itália -, mas também lembra riscos.

Se por um lado defende que o crescimento do valor nominal dos salários, mesmo tendo caído significativamente durante a crise, não o chegou a níveis pré-crise e que estes países precisam de maior moderação no longo prazo no que aos salários diz respeito, também diz que esta moderação tem de ser calibrada.

Em primeiro lugar, se mais que um país decidir avançar pelo caminho recomendado de moderação salarial, isso pode ter impacto no crescimento da economia da zona euro como um todo. Por isso mesmo, diz o Fundo, os decisores têm de isto em mente se decidirem avança com a medida.

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR

Tipicamente, diz o FMI, o impacto desta moderação salarial deveria ser acompanhada por um corte nas taxas de juro pelo banco central, mas como os países da zona euro cederam esse poder para o BCE e as taxa de juro já estão em mínimos históricos (muito perto de 0%), é preciso um programa quantitative easing (compra de ativos pelo banco central aos bancos comerciais para injetar mais dinheiro nos mercados). O BCE também já tem um programa destes em marcha e de grande escala.

O intuito seria conseguir uma redução das taxas de juro para acompanhar a moderação salarial. Se as ações do banco central resultassem numa queda de 50 pontos base nas taxas de juro de longo prazo, o crescimento económico dos países que mais sofreram com a crise, assim como da zona euro como um todo, aumentaria, ainda que modestamente, em resposta à moderação salarial que é defendida.