O ex-coordenador do BE, Francisco Louçã, criticou o PCP por alegadamente não ter querido assinar a três o acordo das esquerdas. O bloquista reconheceu que a assinatura em separado do PS com cada um dos partidos de esquerda constitui uma fragilidade.

“Houve uma fragilidade política porque a política vive também da forma como se comunica, dos seus símbolos e dos seus protocolos. O facto de a assinatura não ter sido um ato público dos três partidos é incompreensível. Se a justificação para isso foi que o PCP não quis, acho que fez mal porque mostrava aquilo que foi, a assinatura que é um compromisso de responsabilidade e mostrava como tem que mostrar. Acho incompreensível essa atitude. É uma reserva que não se explica a si própria, portanto, está errada”, explicou em entrevista à RTP3.

Louçã, contudo, rebateu outro tipo de críticas ao acordo. Estão previstas medidas com implicações orçamentais nos próximos quatro anos, sublinhou. “Acho que é sério dizer que os OE são muito difíceis e que têm que ser trabalhados em detalhe”, acrescentou.

Segundo Louçã, o “ponto mais frágil” é a forma como os imprevistos serão ultrapassados. O bloquista está, aliás, preocupado com o fecho das contas deste ano.

O economista prevê que a crise se agrave nos próximos anos e que isso levará a que a questão da dívida seja mais premente. “É bom prepararmo-nos agora para resolver os problemas mais urgentes, como o emprego”.