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Isobel Bowdery é uma das sobreviventes do ataque à sala de concertos Bataclan, em Paris, que resultou na morte de dezenas de pessoas na última sexta-feira. Numa publicação na sua conta no Facebook, ela descreve que, quando os atiradores chegaram ao local a disparar, a sua reação imediata após o choque foi “fingir estar morta durante mais de uma hora, (…) a suster a respiração, a tentar não mexer, não chorar”.

Apesar de a decisão de Isobel lhe ter poupado a vida, a Agência da Segurança Nacional Antiterrorista do Reino Unido (NaCTSO) aconselha que esta não é a atitude mais apropriada em caso de ataques terroristas.

A organização publicou esta quinta-feira um guia com o objetivo de “restringir os riscos em situações de perigo”. A regra fundamental? Manter-se calmo para “correr, esconder-se e reportar”.

Veja os principais passos a seguir:

Identificar todos os pontos de acesso e saídas, inclusive em áreas normalmente restritas ao público. O documento alerta para que se procure não apenas portas e janelas;
– Identificar como chegar mais rapidamente ao ponto de acesso com segurança;
Insistir para que outras pessoas fujam e não fiquem no local ameaçado pelos terroristas;
– No caso de o ponto de acesso levar a um ambiente fechado, analisar como é possível bloqueá-lo para evitar a entrada de ameaças ou dificultar o seu acesso;
Garantir que as paredes do local escolhido para esconder-se sejam impenetráveis. Evitar, se possível, lugares cobertos com vidro, madeira ou metal;
Evitar esconderijos onde seja possível ter contacto visual com os terroristas. O documento alerta que se a vítima pode ver a ameaça significa que também é visível para ela;
Permanecer atento para lidar com possíveis planos de evacuação;
– Colocar o telemóvel no modo silencioso e, caso esteja relativamente a salvo, telefonar às autoridades;
Reportar às autoridades uma descrição completa sobre o ataque: a localização dos terroristas no edifício e a sua descrição física, relatar a existência de reféns e de vítimas, descrever o tipo de arma dos atacantes e quais são os acessos possíveis ao local;
– Com a chegada dos polícias ao local para neutralizar a ameaça terrorista, é possível que sejam apontadas armas a civis. Por isso, é importante manter a calma, colocar as mãos sobre a cabeça e não fazer movimentos bruscos;
– Também deve ser paciente enquanto os polícias interrogarem com firmeza as vítimas do ataque, pois trata-se de um procedimento padrão da operação, garante o documento;
Não esperar uma evacuação imediata do local. Vai caber às autoridades decidirem quando é o momento mais seguro para que as pessoas abandonem o cenário do ataque.

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BBC: “Faça-se um alvo menor”

O canal inglês BBC também divulgou esta quinta-feira uma lista de conselhos sobre como reagir a um ataque terrorista, a partir dos conselhos de vários especialistas em segurança. Eis os principais pontos do artigo:

Estar mentalmente preparado: ao entrar num local público, deve perguntar-se “se algo de mau acontecer, qual será a minha reação?”. Isto significa identificar as saídas de emergência num local público, por exemplo;
Reagir rapidamente: quanto mais imediata a resposta à ameaça, maior a hipótese de sobrevivência;
Esconder-se de modo a evitar ser um alvo maior. Apesar de não garantir a sobrevivência, pode tornar a vítima um alvo menos imediato. Algumas sugestões apontadas são correr o mais longe possível do primeiro evento ameaçador, deitar-se ao chão ou ficar detrás de um veículo, preferencialmente na parte onde se encontra o motor;
Assumir que haverá uma segunda ação violenta ou explosão, de modo a preparar-se para uma eventual surpresa;
– Após a evacuação do local, correr para mais longe possível, permanecer atento e aproximar-se das autoridades competentes;
Ajudar outras pessoas a manterem-se calmas.