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Novos inimigos, novas estratégias. Na sequência dos atentados de Paris, que vitimaram 129 pessoas, o Estado Islâmico ganhou um novo adversário: o coletivo Anonymous. Conhecidos pelo ativismo online nas mais variadas causas, os hackers anunciaram esta sexta-feira num vídeo que iriam lançar “a maior operação de sempre” contra o Estado Islâmico na Internet. A resposta da organização? Mudar-se para o lado mais escuro da rede.

Segundo conta o jornal El Mundo, o Estado Islâmico decidiu apagar os seus vestígios das “redes convencionais” da Internet e estaria a transferir toda a sua informação para a parte não regulada da web, uma das maiores redes de anonimato, segurança e privacidade. Conhecida como deep web, ou “rede escura”, acede-se a ela através do Tor de forma a garantir que não seja possível reconhecer os utilizadores através de um mecanismo que oculta o endereço IP das máquinas, ou seja, o seu número único de identificação numa rede de computadores e dispositivos.

Segundo explica Carlos Aldama, especialista em segurança online, em entrevista à publicação, utiliza-se uma técnica chamada esteganografia, na qual ficheiros de dados são colocados “dentro” de fotografias “normais”, que circulam diariamente na Internet. “Certa vez fiz o download de uma imagem de uma jovem muçulmana, passei-a por um programa [de análise de dados] forense e ali estava: havia um ficheiro oculto de texto”, garante.

“Utilizam o seu próprio software de encriptação. [A técnica] É muito segura porque a atualizam constantemente. Se uma pessoa consegue a aplicação para encriptar, pode ver instruções em árabe dirigidas a muyahidins [autoproclamados guerreiros santos do Estado Islâmico]”, explica.

Segundo lembra o Observador, esta não é primeira vez que o Anonymous combate frontalmente o Estado Islâmico. Neste ano, os hackers já derrubaram 149 sites ligados ao grupo terrorista, mais de 101 mil contas no Twitter e 5.900 vídeos de propaganda jihadista.

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