O presidente do Gabinete de Reconstrução do Fogo, Cabo Verde, estima que, no primeiro trimestre de 2016, seja possível avançar com o projeto da povoação que vai receber os deslocados da erupção vulcânica de novembro, em Chã das Caldeiras.

Em entrevista à agência Lusa, a propósito da passagem de um ano da erupção do vulcão do Fogo que se assinala segunda-feira, António Nascimento adiantou que decorre, atualmente, a negociação com os proprietários dos terrenos escolhidos para o novo assentamento, que ficará localizado em Achada Furna, município de Santa Catarina.

“Estamos já a falar com os proprietários dos terrenos. Vamos resolver a questão dos terrenos e pensamos que, no primeiro trimestre do próximo ano, teremos já condições para avançar para desenvolver os projetos de engenharia” da nova povoação, onde serão construídas 167 habitações, além de outras estruturas como escolas, posto médico, segundo o responsável.

António Nascimento disse ainda que o gabinete está a trabalhar para mobilizar os recursos necessários para avançar com a construção e que, nesse contexto, será lançada, em coordenação com o Ministério das Relações Exteriores (MIREX), uma “ofensiva diplomática” para encontrar os recursos necessários.

“Vamos precisar para reconstruir o Fogo, mais propriamente Chã das Caldeiras, com 34,7 milhões de dólares (cerca de 30 milhões de euros). Neste momento, temos mobilizado cerca de 5 milhões”, disse.

A nova povoação irá complementar o alojamento já existente em Monte Branco, município de São Filipe, e em Achada Furna, município de Santa Catarina, onde estão atualmente 271 e 446 pessoas, respetivamente.

Os assentamentos, construídos para acolher os deslocados da erupção de 1995, estão a beneficiar de obras de ampliação e remodelação para criar melhores condições de habitabilidade, mas as populações queixam-se da falta de condições das casas e do atraso nas obras.

“As obras estão relativamente atrasadas porque estão a trabalhar com as pessoas a viver dentro das casas”, admite António Nascimento, adiantando ainda que existem reclamações das famílias relativamente ao número de divisões com que cada casa deve ser ampliada.

Por isso, o responsável do Gabinete de Reconstrução do Fogo, que segunda-feira se desloca àquela ilha para assinalar um ano do início da erupção, adiantou que irá reunir-se com as populações e autarcas locais para analisar a situação.

António Nascimento disse ainda que o apoio, através de cestas básicas, que continua a ser dado a 948 pessoas, deverá ser reavaliado a partir de dezembro.

“Não vamos retirar os apoios, mas já chegou o momento em que tem que se ver qual é o melhor método. As pessoas já recomeçaram as suas vidas, já começaram a ter rendimentos”, disse.

António Nascimento disse ainda que durante as reuniões que manterá no Fogo irá estar em análise a situação das construções que foram feitas quase imediatamente em Chã das Caldeiras, onde na sequência da erupção, o governo decretou limites à construção.

“Na altura não se tomou uma medida porque seria proibir as pessoas à base da força. As pessoas estavam a sair de uma erupção vulcânica e tentou gerir-se isso mais pelo lado humano”, disse, admitindo que essa questão se arrastou.

“Já há uma legislação e todos os projetos que estão lá vão ser reavaliados e vamos ver como os adaptar. Não é que não se possa construir em Chã das Caldeiras, há é limitações”, disse, sublinhando que é preciso ter em conta o tipo, a função e a metodologia dos projetos a construir, sendo que não é permitida a construção de habitações permanentes.

António Nascimento assegurou que Chã das Caldeiras vai continuar a ser o local onde as pessoas vão continuar a trabalhar. “O futuro das pessoas continua a ser Chã das Caldeiras. Agora temos que rapidamente instalar essas pessoas”, disse, sublinhando também a necessidade de resolver a questão do transporte entre as casas e Chã das Caldeiras.

António Nascimento considera a questão do transporte prioritária para criar na população a ideia de que Chã das Caldeiras é um local de trabalho, de onde se regressa ao fim do dia.

Além do alojamento, o gabinete definiu como ações prioritárias a construção da nova adega para garantir a produção do vinho de 2016, a adução de água para agricultura, a reabilitação da estrada no interior da cratera e o início da construção de uma estrada na zona norte, que permita a saída para o município dos Mosteiros.

“Com os recursos que temos neste momento, vamos priorizar. E priorizar é dar às pessoas as casas para morar, tentar a continuidade de algum apoio em substituição das cestas básicas e apoiar as pessoas no setor produtivo. Isso é que são as prioridades neste momento em função do dinheiro que temos”, concluiu.