A chanceler alemã Angela Merkel celebrou, este domingo, 10 anos à frente dos destinos da Alemanha. No entanto, a crescente oposição dentro da própria coligação de governo tem marcado os últimos tempos de liderança de Merkel. E tudo por causa da crise dos refugiados.

Este fim de semana marcou o período mais conturbado da líder do governo germânico. As divisões entre a sua União Democrática e Cristã (CDU) e os sociais-democratas de centro-esquerda (SPD) estão em crescendo devido à política de refugiados que tem sido promovida pela chanceler. As tensões aumentaram de tal forma que um encontro extraordinário do gabinete, marcado para esta segunda-feira, e que tinha como objetivo estabelecer medidas para acelerar o processo de resposta aos pedidos de asilo, teve de ser cancelado, avança a Reuters.

No entanto o momento de maior tensão aconteceu na passada sexta-feira em Munique. E tudo aconteceu dentro do próprio partido. Num congresso com a filial do partido na Baviera, a União Social e Cristã da Baviera (CSU), Angela Merkel assistiu e ouviu duras críticas de Hors Seehofer, líder da CSU. Sentada no palco, Merkel assistiu a Seehofer a criticar a sua recusa em estabelecer um limite ao número de refugiados a entrar no país. Discurso que foi muito aplaudido pelos militantes do partido.

Citado pela Reuters, o militante da CDU, Elmar Brok, afirmou que o comportamento de Seehofer foi “mal-educado, indecoroso e inaceitável”. Em resposta, o crítico de Merkel não voltou atrás na palavra e explicou, em declarações a uma televisão alemã, que não podia, em plena consciência, falar de um “conto de fadas de harmonia e consenso” quando existem tantas diferenças.

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Esta disputa interna surge numa altura em que a popularidade da chanceler tem sofrido um forte recuo. Em abril mantinha-se nos 75%, agora desceu abaixo dos 50%.

Segundo as autoridades germânicas, cerca de 7 mil refugiados entram todos os dias nas fronteiras alemãs, principalmente pela Baviera e através da Áustria e são esperados aproximadamente um milhão de migrantes só este ano. Merkel rejeitou desde o início do processo os apelos dos militantes do seu partido para estabelecer um teto nestes números mas, para além das críticas internas, a chanceler alemã viu vários países europeus a rejeitar as quotas de refugiados. O que lançou ainda mais dúvidas sobre a eficácia das suas decisões em relação a esta matéria.