Uma exposição, com 56 obras de mestres da pintura como Anton van Dyck, Canaletto e Claude Lorrain, vai ser inaugurada na quinta-feira, no Museu da Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, provenientes de uma coleção particular britânica.

“Wentworth-Fitzwilliam. Uma Coleção Inglesa” é o título desta mostra que a Gulbenkian vai apresentar na sala de exposições temporárias da sede e do Museu Calouste Gulbenkian, a par de – e em diálogo com – outra exposição com obras da própria coleção deste museu.

De acordo com a Gulbenkian, a exposição inédita em Portugal tem curadoria de Luísa Sampaio e ficará patente até 28 de março de 2016.

Esta mostra inédita surge numa altura em que a nova diretora do Museu Calouste Gulbenkian, a britânica Penelope Curtis, já se encontra em funções, embora esta exposição ainda não seja por si programada.

“Wentworth-Fitzwilliam. Uma Coleção Inglesa” reúne 56 obras de mestres da pintura como Sir Joshua Reynolds, Sir Thomas Lawrence, Claude Joseph Vernet, William van de Velde II, Jan van Goyen, Hans Memling, Salomon van Ruysdael e George Stubbs, entre outros, pertencentes a uma das mais prestigiadas coleções privadas de arte do Reino Unido.

Trata-se de uma coleção reunida ao longo de quatrocentos anos e que testemunha alguns momentos cruciais da história de Inglaterra, de acordo com a Gulbenkian.

À semelhança da coleção de pintura reunida por Calouste Gulbenkian, o retrato e a paisagem são os géneros dominantes nesta coleção, cujos dois maiores colecionadores se destacaram pelo envolvimento político.

Thomas Wentworth (1593-1641), 1.º conde de Strafford, vice-rei na Irlanda, encomendou vários retratos de membros da família e de figuras ligadas ao poder a Anton van Dyck, pintor da corte do rei Carlos I, que marcaria de forma decisiva a arte do retrato em Inglaterra.

Van Dyck foi autor do seu retrato de corpo inteiro, inspirado numa obra célebre de Ticiano, bem como do retrato dos seus três filhos, obras que estão em destaque nesta exposição.

Charles Watson-Wentworth (1730-1782), 2.º marquês de Rockingham, foi duas vezes primeiro-ministro do partido ‘whig’, de tendência liberal, e chefe da Câmara dos Lordes.

Nesta exposição, está representado em retratos de Sir Joshua Reynolds e na escultura de Joseph Nollekens.

Foi ainda mecenas de George Stubbs, artista que se celebrizou no Reino Unido pelas suas monumentais pinturas de cavalos, e de quem serão mostradas quatro obras.

Esta coleção foi exibida pela última vez em 2006, no Chrysler Museum of Art, em Norfolk, Virgínia, nos Estados Unidos.

As peças da coleção do Museu Gulbenkian que serão exibidas – “Calouste S. Gulbenkian e o gosto inglês” é o título da mostra – são de produção inglesa ou ao “gosto inglês”, e muitas delas correspondem aos anos em que o colecionador Calouste Gulbenkian viveu em Londres e à génese da sua coleção.

Com curadoria de João Carvalho Dias, reúne obras que se encontram habitualmente em reserva, algumas delas nunca mostradas, e a que se vai juntar o Retrato de William Keppel, de Sir Joshua Reynolds, pintura oferecida por Calouste Gulbenkian ao Museu Nacional de Arte Antiga, em 1949, e agora cedida para esta exposição.

Calouste Sarkis Gulbenkian formou-se em engenharia e ciências aplicadas em Londres, no King’s College, e foi lá que casou e mais tarde fixou residência, acabando por adquirir a nacionalidade britânica em 1902.

A partir da importante praça financeira londrina (tinha escritórios na City, em St Helen’s Place), promoveu negócios a nível global e desenvolveu uma rede de contactos com negociantes e especialistas de arte que o aconselharam na compra de obras.

Apresentando obras de pintura, escultura, gravura, bem como livros e alguma documentação relevante guardada nos Arquivos e na Biblioteca de Arte da Fundação, esta exposição tem como objetivo conhecer o contexto das opções estéticas do colecionador.