A Junta de Freguesia de Alcântara, em Lisboa, criou um serviço de transporte para acabar com o isolamento a que algumas pessoas estavam sujeitas por falta de transportes públicos na sua zona de residência.

Trata-se do Azulinho, uma carrinha de 14 lugares que, desde há nove meses, percorre diariamente os bairros do Alvito, Alvito Velho, da Cascalheira e Quinta do Jacinto que, devido ao seu difícil acesso e à sua reduzida dimensão, não são servidos por transportes públicos.

Em declarações à agência Lusa, o presidente daquela Junta de Freguesia disse que o “Azulinho surgiu em fevereiro e teve como objetivo derrubar barreiras que existiam na freguesia, sobretudo em alguns bairros de difícil acesso e de poucos transportes e serviu para conseguir que essas pessoas tivessem mobilidade, que não tinham”.

Davide Amado (PS) acrescentou que aquele serviço “permite que as pessoas possam ir ao centro de saúde, à unidade de saúde familiar a Pedrouços, possam ir ao mercado, ao banco, aos correios, à Junta de Freguesia e que se possam mover dentro da freguesia, que é uma freguesia de altos e baixos, como a cidade”.

Segundo o autarca, “toda a zona da Cascalheira, Alvito velho e o bairro do Alvito quando se sobe para Monsanto eram zonas muito isoladas. O Alvito velho nem sequer tinha transporte público e a zona do bairro do Alvito tem muito pouca passagem de transporte”.

Numa viagem pelo Azulinho, Ilda Nunes disse à Lusa que costuma utilizar aquele serviço quando vai ao supermercado porque “custa-lhe ir carregada” para casa. “Quando vou ao convívio também apanho o Azulinho e, à parte disso, custa-me a pagar o passe e muitas vezes não o tiro porque para cá venho a pé e para cima vou no Azulinho”, contou.

Isabel Fernanda, de 67 anos, disse à Lusa que aquele serviço é “fundamental” para as pessoas mais idosas, sobretudo, as que moram no Alvito porque “é uma zona de muito difícil acesso”. “Muitas pessoas não vinham cá abaixo porque não tinham pernas para subir”, acrescentou.

Disse ainda ser “importantíssimo” para quem, como ela, tem de ir ao centro de saúde em Pedrouços porque o transporte a utilizar seria o “elétrico e pagaria 2,5 euros de cada viagem”.

“Cada pessoa teria de gastar cinco euros. É incomportável para a maior parte das pessoas, em especial para quem é idoso e tem tantas restrições”, frisou. Segundo o presidente da Junta de Freguesia, entre 60 a 80 pessoas utilizam o Azulinho por dia, numa média de 1.500 por mês.

O Azulinho é gratuito, funciona de segunda a sexta-feira entre as 08h00 e as 20h00 e para o utilizar “basta ser freguês” e tirar o Cartão Alcântara na Junta de freguesia, que também dá descontos em todas as farmácias de Alcântara e em mais de 70 lojas de comércio tradicional, disse Davide Amado.