Os ginastas portugueses vão saltar no Campeonato do Mundo de trampolins, em Odense (Dinamarca), com o pensamento nos Jogos Olímpicos, mas com a consciência de que conquistar um lugar no Rio2016 é uma tarefa difícil.

“Neste desporto, tudo pode acontecer. O nosso trabalho resume-se a uma apresentação de 30 segundos. Se tivéssemos dois finalistas portugueses, conquistaríamos dois lugares para Portugal. Isso seria fantástico. Obviamente que a competição é muito forte. Temos as grandes potências, como a China, o Japão, a Rússia, que estão sempre presentes nas finais. Nós vamos fazer tudo, primeiro quando chegarmos às meias-finais, e então, aí, tentar a final”, resumiu Diogo Ganchinho à agência Lusa.

Com duas presenças olímpicas, o ginasta do Lisboa Ginásio Clube é talvez o mais experiente da comitiva de 18 atletas que vai representar Portugal no Campeonato do Mundo de ginástica de trampolins, prova que garante apuramento para o Rio2016 e que arranca na quinta-feira, e não esconde que, a par dos seus colegas, quer “saltar” para os Jogos Olímpicos.

“A experiência é sempre importante, tendo feito dois Jogos Olímpicos, querendo também fazer os terceiros, é normal que possa ter alguma pressão, mas estou bastante consciente do trabalho que tenho vindo a fazer e, portanto, tenho também que desfrutar um pouco da competição agora”, prosseguiu Ganchinho, de 28 anos, para quem estar no Brasil seria “um excelente prémio” pela sua carreira.

Enquanto o 15.º classificado em Londres2012 e 11.º em Pequim2008 falava com a Lusa, numa paragem do treino de alguns dos elementos da comitiva nacional, no Lisboa Ginásio Clube, a imagem de Nuno Merino ‘Campeão nos Jogos Olímpicos’ pairava sob as cabeças daqueles que lhe seguiram os passos, como de Diogo Abreu, que em Odense vai cumprir a sua quarta presença em Mundiais.

“É muito difícil ficar nos oito primeiros, mas é possível e tem-se trabalhado para isso. Agora é chegar lá e fazer o meu melhor”, prometeu o jovem de 22 anos.

Tal como Ganchinho, também Ana Rente esteve nos últimos dois Jogos Olímpicos e também ela prefere ser cautelosa nos prognósticos. Mais do que saltar para garantir uma vaga para Portugal no Rio2016, a 11.ª classificada nos trampolins femininos em Londres2012 (em Pequim2008 foi 16.ª e última) quer um lugar no evento-teste.

“Se correr da melhor forma pode ser que eu consiga o apuramento direto. Mas isso é muito difícil, é ficar nas oito primeiras do Mundo. Estão todas as atletas a lutar por esses oito lugares, é um objetivo muito complicado, mas é para isso que trabalhamos”, disse à Lusa a medalhada de bronze nos trampolins sincronizados de Baku2015.

A sua parceira no terceiro lugar dos I Jogos Europeus, Beatriz Martins, nem quer ouvir falar de um salto olímpico, estando apenas focada em fazer as duas séries no Campeonato do Mundo que dão acesso à semifinal e depois a série da semifinal. “Os Jogos é só depois”, lembrou à Lusa.

Em ano de apuramento olímpico, Beatriz Martins sabe que o nível sobe sempre, mas está concentrada em si própria: “Sei que se fizer as minhas séries como eu sei fazer consigo entrar nos lugares que eu tenho em mente. A dificuldade vai ser mesmo lidar comigo própria”.

Reconhecida desde o bronze em Baku2015, a atleta do Lisboa Ginásio Clube, de 21 anos, acredita que a medalha que conquistou, além de lhe dar mais responsabilidade, lhe permite ser conhecida pelos juízes internacionais

“Sei que posso eventualmente estar numa final se as coisas correrem bem, mas o objetivo é cumprir as séries como treinámos. Sou a mais nova da equipa, tenho os pés bem assentes na terra. Sei que é possível, não é impossível, mas talvez o meu ano não seja para já”, reconheceu.

Nas provas de trampolim individual e sincronizado Portugal marcará presença com cinco ginastas em masculinos, e quatro em femininos.