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Tiago Brandão Rodrigues. O homem da ciência que cai de paraquedas na Educação

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Homem da ciência e filho de uma professora, Tiago Brandão Rodrigues regressa a Portugal ao fim de 16 anos para assumir o comando do Ministério da Educação. É o mais novo ministro, com 38 anos.

D.R.

Tiago Brandão Rodrigues ou Tiago ‘de Coura’, como é conhecido pelos mais próximos devido à maneira fervorosa com que fala e defende a sua terra natal, é uma das surpresas deste XXI Governo, segundo a lista divulgada pela TSF. Bioquímico de formação, o investigador regressou este ano a Portugal a convite de António Costa e foi o escolhido pelo secretário-geral do Partido Socialista para liderar a pasta da Educação.

Natural de Paredes de Coura, Tiago Brandão Rodrigues, agora com 38 anos, saiu aos 14 de casa dos pais para completar o ensino secundário em Braga e foi em Coimbra que se doutorou em bioquímica. Depois disso, o mundo. Fez Erasmus em Madrid, onde viveu e trabalhou alguns anos, esteve seis meses nos Estados Unidos, corria o ano de 2011, e há cinco anos que vivia em Cambridge, onde trabalhava como investigador na Universidade e no conceituado Cancer Research UK.

Em 2013, saltou para as luzes da ribalta por ter apresentado na “Nature Medicine” uma técnica de ressonância magnética mais eficaz no tratamento do cancro. Este ano, foi convidado por António Costa para encabeçar a lista do PS por Viana do Castelo e acabou por aceitar, regressando a Portugal 16 anos depois. O investigador deixou, contudo, claro que pretende voltar à ciência e à academia que diz ser o seu “lugar natural”. Em entrevista ao Público, no início de setembro, afirmou que “a vida política é um compromisso balizado no tempo”.

Tiago Brandão Rodrigues nunca foi militante de nenhum partido. Assume-se como independente, embora sempre se tenha considerado “um homem de esquerda”, até por influência da família e dos amigos que frequentavam a casa dos pais quando era pequeno. Em entrevista ao DN, no final de agosto, confessou que sempre votou em partidos de esquerda, “mas nem sempre no Partido Socialista”.

Pouco se conhece do pensamento deste bioquímico sobre a educação. Da série de entrevistas que deu, quando, este ano, se tornou cabeça de lista do PS por Viana do Castelo, apenas se encontram breves referências ao assunto como a defesa da escola pública, “uma escola para todos”. O maior enfoque dos discursos do investigador recaiu sempre sobre a ciência, como seria de esperar. Mas quando questionado sobre a possibilidade de vir a formar Governo, Tiago ‘de Coura’ respondeu estar “preparado para ajudar o PS, quando for Governo a trabalhar as questões em que mais me sinto à vontade: ciência, educação e ensino superior”.

“Mais facilmente o via no Ministério da Ciência e do Ensino Superior”

No ‘habitat natural’ de Tiago Brandão Rodrigues – que é o da ciência e da investigação – a notícia que dá conta da sua ida para o Ministério da Educação foi recebida com surpresa. Miguel Castanho, professor de bioquímica da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, afirmou ao Observador que “mais facilmente o via no Ministério da Ciência e do Ensino Superior”. 

“Ele terá uma visão não de dentro, mas de cima. Aferirá as necessidades do sistema educativo pelas falhas que encontra nos alunos do ensino superior. Nesta medida, creio que estará mais à vontade a avaliar o ensino secundário do que daí para baixo”, acrescentou o professor.

Já sobre as qualidades do bioquímico para assumir uma pasta governativa, Miguel Castanho destaca a “capacidade de diálogo e de trabalho”, o “dinamismo”, a “capacidade de inspirar nos outros a vontade de fazer coisas” e o facto de conhecer bem a realidade portuguesa, apesar de viver fora há muitos anos. Da ciência, “poderá transportar para a educação a grande capacidade de inovação e um ar refrescado”, rematou.

A falta de experiência política de Tiago Brandão Rodrigues já tinha sido apontada quando António Costa o chamou para encabeçar a lista de Viana do Castelo. Em setembro, ao jornal “i”, o investigador respondeu que “a falta de experiência combate-se ouvindo, aprendendo, trabalhando, comprometendo-nos e deixando para trás essa condição. Mas a política é muito mais do que aquilo que pensamos que é. A política é a vida ativa de quem trabalha e é possível trazer muitos mecanismos da nossa vida para a política”.

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