O XXI Governo toma posse esta quinta-feira. São 59 governantes num dos maiores Executivos de sempre. Deixamos 12 curiosidades em que pode não ter ainda reparado.

  • Tudo em família

Naquela casa fala-se mesmo de política todos os dias. Ana Paula Vitorino, ministra do Mar, e Eduardo Cabrita, ministro-adjunto, são casados. Já estiveram os dois no Governo de Sócrates como secretários de Estado. Mas há outra curiosidade: Mariana Vieira da Silva, secretária de Estado-adjunta do primeiro-ministro, é filha do ministro da Segurança Social, José António Vieira da Silva.

Se olharmos para graus de parentesco encontramos ainda um filho do ex-ministro Guilherme d’ Oliveira Martins, um primo do treinador José Mourinho ou um primo de António José Seguro.

  • A primeira vez, uma e outra vez

Este é um Governo onde há muitas coisas inéditas. Para além de ser a primeira vez que PS faz acordos à esquerda para sustentar um Governo minoritário, é também a primeira vez que uma pessoa negra chega a ministra – é o caso de Francisca Van Dunem na Justiça -, que uma pessoa com deficiência visual congénita assume um lugar no Governo – Ana Sofia Antunes, presidente da Acapo, vai ser secretária de Estado da Inclusão das Pessoas com Deficiência – e que existe um secretário de Estado com ascendência cigana – Carlos Miguel, ex-presidente da Câmara de Torres Vedras, que fica com a pasta das Autarquias Locais.

  • Os socráticos

Governantes que trabalharam com Sócrates, o último primeiro-ministro socialista, são vários. Desde Ana Paula Vitorino (Mar) que já tinha sido secretária de Estado dos Transportes no Governo de Sócrates, Luís Vieira (Agricultura) que volta também à sua área, Eduardo Cabrita (ministro-adjunto) que foi secretário de Estado da Administração Local, Manuel Heitor (Ciência) que volta à mesma área, Mariana Vieira da Silva (secretária de Estado Adjunta do Primeiro-Ministro) que antes tinha trabalhado com Maria de Lurdes Rodrigues e Almeida Ribeiro, Miguel Prata Roque (secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros) que já tinha sido assessor em S. Bento ou Rocha Andrade (Assuntos Fiscais) que antes tinha sido secretário de Estado na Administração Interna.

  • Os fiéis da Câmara de Lisboa

António Costa foi presidente da Câmara de Lisboa durante sete anos e quis levar para o Governo várias pessoas que trabalharam com ele na autarquia como os ex-vereadores Graça Fonseca (Modernização Administrativa) e Marcos Perestrello (Defesa), o diretor da Startup Lisboa, João Vasconcelos (Indústria), a colaboradora do gabinete da Mobilidade Ana Sofia Antunes (Inclusão), o diretor executivo do centro de Inovação da Mouraria, João Wengorovius Meneses (Juventude e Desporto).

  • O que resta do segurismo

O que existe do segurismo neste Governo? Um primo de António José Seguro, Jorge Seguro, na pasta da Energia. João Soares, agora ministro da Cultura, que apoio Seguro contra Costa nas primárias. José Luís Carneiro na secretaria de Estado das Comunidades também apoiou Seguro, sendo muito próximo de Francisco Assis, com quem partilhou as críticas a uma aliança do PS à esquerda. Há ainda Manuel Caldeira Cabral, o novo ministro da Economia, que, durante o consulado segurista, foi encarregado de ser o interlocutor do PS nas conversas com o Governo de Passos sobre fundos estruturais. Integrou o grupo de economistas que prepararam o cenário macro-económico para o programa eleitoral do PS e não se pode dizer que seja um segurista de gema.

  • Ponte para a direita? 

Há poucas ou quase nenhumas pontes para a direita, mas há um sinal significativo: a diplomacia económica acarinhada por Paulo Portas, líder do CDS, ganha destaque. Costa cria uma secretaria de Estado da Internacionalização dentro do Ministério dos Negócios Estrangeiros só para este setor.

  • Mulheres a regra e esquadro

A quota de um terço é cumprida (33,8%, neste caso). Em 17 ministros, apenas quatro são mulheres. Já em 41 secretários de Estado, a proporção sobe. 16 são mulheres, o que significa uma percentagem de 39%.

  • O léxico também é de esquerda

António Costa mudou o nome a algumas secretarias de Estado. A pasta da Inovação (na dependência do ministro da Economia) chama-se agora Indústria, a secretaria de Estado da Administração Pública passa a Administração e Emprego Público.

Mais do que léxico, é de assinalar a divisão da pasta da Educação e Ciência em duas, que é uma tradição dos últimos governos socialistas, enquanto o PSD prefere sempre juntá-las.

  • Versátil e recordista 

Augusto Santos Silva é o ministro mais multifacetado de Portugal. É o único que pode dizer que conta no seu currículo com o desempenho em cinco pastas diferentes. Foi ministro da Educação e da Cultura com António Guterres. Depois, ministro dos Assuntos Parlamentares e da Defesa de José Sócrates. Por fim, é agora Ministro dos Negócios Estrangeiros. Só rivaliza com Rui Machete, que foi vice-primeiro-ministro, Assuntos Sociais, Justiça, Defesa e Negócios Estrangeiros (quatro pastas setoriais e uma transversal).

  • O aparelho sempre presente

Costa chamou para o Governo quatro líderes de federações: Capoulas Santos (Évora) para a Agricultura, Marcos Perestrelo (Lisboa) na Defesa, Pedro Nuno Santos (Aveiro) nos Assuntos Parlamentares e José Luís Carneiro (Porto) nas Comunidades.

  • O maior depois de Santana

Se o primeiro Governo de Passos Coelho foi o mais pequeno de sempre, o de António Costa é um dos maiores da história da democracia. Ultrapassado apenas pelo de Santana e igualado a Durão e Guterres com 17 ministros.

  • 21 governantes vêm do Parlamento

A agência Lusa fez as contas e concluiu que quase um quarto dos membros do atual grupo Parlamentar do PS, 21 num total de 86, vai exercer funções de ministro ou de secretário de Estado no XXI Governo Constitucional, que toma posse esta quinta-feira.