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O euro caiu esta quarta-feira para os valores mais baixos dos últimos sete meses, desceu para menos de 1,06 dólares e aproximando-se, cada vez mais, da paridade face à moeda norte-americana. O dia está a ser marcado por mais indicações de que o BCE irá, na próxima semana, avançar mesmo com um reforço das medidas de estímulo monetário. Resultado: mais pressão sobre o valor da moeda única.

O português Vítor Constâncio, vice-presidente do Banco Central Europeu (BCE), foi um dos responsáveis que alimentaram as expectativas de mais medidas por parte do banco central. “Temos uma taxa de inflação que está muito baixa e queremos assegurar a estabilidade dos preços, em ambas as direções”, afirmou Constâncio em entrevista à Bloomberg TV. O BCE define “estabilidade de preços” como uma taxa de inflação perto de 2%, mas a inflação continua pouco acima de 0% na zona euro.

A moeda única baixava, há momentos, 0,5% para 1,059 dólares. Em março, o par cambial desceu até aos 1,0458 dólares, o que na altura foi um mínimo desde janeiro de 2003. Se a moeda única continua a cair, isso significará que esse mínimo de março será ultrapassado (em baixa) e a moeda única voltará aos valores em que negociava há quase 13 anos.

Euro perto de voltar a mínimos de quase 13 anos

EURUSD Curncy (EUR-USD X-RATE)   2015-11-25 14-56-09 (1)

O par euro-dólar está muito próximo de “furar” os mínimos de abril e igualar os níveis a que negociava há 12 anos.

O presidente do BCE, Mario Draghi, disse na semana passada que a entidade monetária “fará tudo o que deve para subir a inflação assim que possível” se em dezembro concluírem que a atual política monetária não está a ser suficiente.

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Entre as medidas possíveis estão um aumento do ritmo das compras mensais, uma alteração da distribuição de ativos comprados (dívida pública e privada) ou, mesmo, mais uma redução da taxa dos depósitos. Esta é a taxa com que os bancos são remunerados quando estacionam liquidez no banco central, mas esta taxa já está negativa – em -0,2%. Uma nova redução tornaria ainda mais oneroso para os bancos depositarem recursos no BCE, o que em teoria os pode incentivar a emprestar mais uns aos outros e à economia, estimulando a taxa de inflação.

Mais medidas pelo BCE tornam-se ainda mais prováveis tendo em conta que é quase consensual que a Fed norte-americana irá subir os juros em dezembro. Para evitar ser arrastado para uma subida dos juros no mercado, à boleia da subida dos juros nos EUA, o BCE está a preparar o mercado, de forma bastante clara, para mais medidas de estímulo que comprimam as taxas na zona euro e, também, a cotação da moeda.

Leia mais sobre quem ganha e quem perde com a descida do euro neste texto.