O primeiro-ministro francês, Manuel Valls, defendeu, esta terça-feira, que a União Europeia (UE) deve limitar o número de entrada de migrantes e que o controlo das fronteiras externas é essencial para o futuro do bloco europeu.

“A Europa tem de dizer que não pode mais acomodar tantos migrantes, [que] não é possível”, afirmou, segundo excertos de uma conversa com a imprensa estrangeira publicados hoje pelo jornal alemão Süddeutsche Zeitung.

“Controlar as fronteiras externas da União Europeia é essencial para o futuro da UE. Se não o fizermos, as pessoas vão dizer: ‘Chega, Europa!'”, acrescentou.

A Europa enfrenta há meses a maior crise migratória desde a II Guerra Mundial.

Os atentados terroristas em Paris, a 13 de novembro, em que morreram 130 pessoas, suscitaram questões sobre a segurança das fronteiras externas de Schengen, uma vez que alguns dos autores dos ataques viajaram da Bélgica para Paris e o presumível “cérebro” do plano, Abdelhamid Abaaoud, pode ter regressado da Síria, onde combateu no grupo extremista Estado Islâmico, transitando pela Europa sem ser detetado.

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O acordo de Schengen, que aboliu as fronteiras entre 26 países europeus, foi dotado de instrumentos de controlo nas fronteiras externas pensados para os estrangeiros, mas não para os europeus, que não podem ser sujeitos a um controlo sistemático.

A Comissão Europeia revelou, na sexta-feira, que vai apresentar até ao final deste ano uma proposta de revisão das regras do espaço Schengen de livre circulação.