O primeiro-ministro francês, Manuel Valls, afirmou esta quarta-feira ao jornal alemão Süddeutsche Zeitung que a Europa “não pode acolher mais refugiados”, devido à ameaça do autoproclamado Estado Islâmico, e defendeu que a Europa deve procurar “assegurar que os refugiados sejam acolhidos nos países vizinhos da Síria”, relata a agência de notícias France-Presse.

Manuel Valls acrescentou ainda que, se a Europa não tomar estas medidas, “coloca em causa a capacidade de controlar eficazmente as suas fronteiras”, e acrescentou, quando questionado sobre o papel da Alemanha numa possível coligação contra o Estado Islâmico, que “os alemães são pessoas muito pragmáticas e um dia passarão da teoria à prática”.

Segundo a publicação germânica, o primeiro-ministro francês “evitou criticar diretamente a chanceler” Angela Merkel, e classificou a decisão da Alemanha em abrir as suas portas aos refugiados como “honrosa”, mas sublinhou que não foi a França que disse “Venham!”, aos refugiados vindos da Síria.

Manuel Valls, relata a France-Presse, explicou a sua inflexibilidade quanto ao acolhimento de migrantes com as informações recolhidas por investigadores franceses, que sugerem que dois dos terroristas envolvidos nos atentados de Paris se aproveitaram do fluxo de migrantes para se infiltrar em França. Algo que, contudo, não está confirmado oficialmente. Devido a essas informações, explicou, as medidas têm de ser tomadas: caso contrário, anteviu, “as pessoas dirão: chega de Europa”.

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Ainda esta quarta-feira, já após as declarações do primeiro-ministro francês, Angela Merkel defendeu a política de acolhimento de refugiados por parte da Europa, tendo afirmado que “o simples isolamento não resolverá o nosso problema” de terrorismo. A chanceler alemã reunir-se-á com o presidente francês François Hollande esta quinta-feira, em Paris. Os dois líderes deverão discutir a cooperação entre os dois países na luta contra o terrorismo.

Na passada quarta-feira, foi o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, a pronunciar-se sobre o acolhimento de refugiados vindos da Síria. Obama apontou para a existência de “histeria” e “exagero dos riscos” no debate público sobre o tema. E acusou os críticos da decisão de terem “medo de viúvas e órfãos que chegam aos Estados Unidos”.