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Pelo menos 12 pessoas morreram depois de um atentado a um autocarro que transportava a guarda presidencial em plena capital tunisina. No entanto, as autoridades já avisaram que este número pode aumentar nas próximas horas.

A explosão aconteceu na Avenida Habib Nourguiba, a rua mais famosa de Tunes, numa altura em que passava pela sede do RCD, o partido do presidente deposto Zine El Abidine Ben Ali. Segundo a Reuters, algumas fontes suspeitam que o autor do atentado estava a bordo do autocarro e que se fez explodir nessa altura.

Quase de imediato o atual presidente da Tunísia, Beji Caid Essebsi, declarou o estado de emergência em todo o país e o recolher obrigatório na capital. Para além disso, Essebsi afirmou ainda que a Tunísia está “em guerra contra o terrorismo” e apelou à cooperação internacional contra os extremistas: “Eu reassumo ao povo tunisino que vamos vencer o terrorismo”. 

Apesar de o ataque ainda não ter sido reivindicado, a Tunísia tem sido palco, nos últimos tempos, de vários atentados terroristas orquestrados por grupos islâmicos radicais, nomeadamente o Estado Islâmico. E, por isso, o facto de a explosão ter ocorrido junto à sede do partido do presidente deposto Zine El Abidine Ben Ali pode não ter sido por acaso.

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A Tunísia foi, em 2011, o berço da chamada Primavera Árabe o que levou à queda de Ben Ali, no poder há 23 anos, em janeiro do mesmo ano. A partir daí a instabilidade tomou conta do país o que abriu portas a uma série atentados terroristas. No entanto, a transição para a democracia, numa altura em que o cenário de guerra civil era cada vez mais uma realidade, foi vista como um exemplo para os países na região, levando à atribuição do Nobel da Paz de 2015 ao quarteto responsável pela mediação das negociações com vista ao estabelecimento pacífico de uma democracia duradoura e estável.

Em junho deste ano, um atacante matou 38 turistas europeus em dois resorts na cidade de Sousse. O autoproclamado Estado Islâmico reivindicou o atentado mas as autoridades governamentais atribuíram as mortes ao grupo armado Ansar al-Sharia. 

No entanto, três meses antes do massacre em Sousse, 22 pessoas foram mortas no Museu Nacional do Bardo, na capital Tunes. Mais uma vez, o Estado Islâmico afirmou ter sido o responsável por estas mortes. 

Ou seja, a Tunísia tem enfrentado o jihadismo radical desde a implementação da democracia. Apesar da marcação de várias eleições livres, desde 2011, e da implementação de uma nova Constituição, são milhares os cidadãos tunisinos que se juntam às fileiras dos radicais islamitas na Síria, Iraque ou na Líbia. Esta situação já levou à detenção de dezenas de suspeitos: ainda este mês, por exemplo, as autoridades anunciaram o desmantelamento de uma alegada célula terrorista que estaria a planear vários ataques a esquadras e a hotéis em Sousse.